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Luiz Carlos Merten

16 Abril 2008 | 00h01

Nem me passsa pela cabeça achar que tenha havido qualquer tipo de manipulação na escolha final dos vencedores do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – recuso-me a acrescentar o nome do patrocinador, porque espero que o prêmio tenha vida mais longa do que o patrocimnador da vez. Mas que a premiação foi meio esquizofrênica, foi. Não acho que tenha havido nenhum escândalo, nenhuma injustiça. Eu talvez votasse – mas não sou acadêmico, digo, integrante da Academia Brasileira de Cinema – em Hermilla Guedes como melhor coadjuvante, por ‘Baixio das Bestas’, e melhor atriz em Carla Ribas, por ‘A Casa de Alice’, mas daí talvez me arrependesse, porque Sílvia Lourenço é maravilhosa em ‘O Cheiro do Ralo’. O prêmio de roteiro para ‘O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias’ já antecipava a vitória do filme de Cao Hamburger como melhor, assim como o prêmio de direção para José Padilha veio coroar o mundaréu de prêmios ‘técnicos’ para ‘Tropa de Elite’. Não quero nem de longe criticar os comentários do Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, até porque acho que, independentemente de concordar 100% com ele, acho que foram comentários de quem é do ramo, nada parecido com os comentários (pobrinhos e sem um verdadeiro conceito) que a gente ouve na cobertura do Oscar. Mas juro que quando o Zanin disse que a premiação se encaminhava para a consagração de ‘Tropa de Elite’ como melhor filme. me bateu que o Padilha não ia ganhar. Gosto bastante do filme do Cao Hamburger, que acompanhei em exibições em Berlim e Israel, mas confesso que, se José Padilha foi o melhor diretor, mas o ‘Tropa’ não foi o melhor filme, a Academia Brasileira de Cinema teria sido muito mais coerente premiando ‘Baixio das Bestas’. Agora, é fácil dizer, mas nunca tive muita dúvida sobre a vitória de ‘Santiago’, que escolhi como melhor filme brasileiro do ano, no ‘Caderno 2’. Se a academia votou no João Moreira Salles como finalista para melhor diretor, seria um contra-senso não escolher o documentário dele. Confesso que aceitei todas as vitórias numa boa, menos uma. Gosto de ‘A Vida dos Outros’, mas entre o filme do alemão Florian não-sei-das-quantas Von Donersmarck e ‘Volver’, não teria vacilado. Eu, se você votante, daria o prêmio para o Almodóvar. Mas, enfim, eles poderiam ter errado mais, votando no ‘Babel’, por exemplo.