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Luiz Carlos Merten

16 Maio 2010 | 16h17

CANNES – Gostei bastante do filme do Chade, ‘Un Homme Qui Crie’, e resolvi não perder a coletiva do diretor Mahamat-Saleh Haroun. É o quarto filme dele, dois já foram premiados em Veneza e, como confessou o próprio diretor, o tema da relação entre pai e filho é uma constante em seu cinema. Haroun está fazendo história como primeiro diretor africano a competir em Cannes nos últimos 13 anos e o primeiro do Chade a participar em toda a história do festival. Seu filme reflete o clima de instabilidade no país, dividido por uma sangrenta guerra civil. O próprio Haroun contou que as filmagens mais de uma vez tiveram de ser interrompidas por causa de combates entre o Exército e forças rebeldes nas proximidades do set. O filme conta a história de um pai que sacrifica o próprio filho e, quando o garoto é enviado para a frente de combate, ele, corroído pelo horror do próprio gesto, tenta fazer o jovem retornar. Haroun filma bem e fala melhor ainda. Achei-o muito articulado, com uma visão muito lúcida da política na África e da força do cinema, o dele, inclusive. E o ator que faz o pai, Youssouf Djaoro, é muito bom. Já tenho meu primeiro candidato ao prêmo de interpretação masculina.

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