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Luiz Carlos Merten

23 Maio 2009 | 14h31

CANNES – Nao consegui assistir ontem ao filme de Gaspar Noe e nao esquentei porque soh ouvi falar mal do novo trabalho do diretor de `Irreversivel`. Hoje, pela primeira vez, ouvi uma defesa apaixonada do cineasta franco-argentino. Meu amigo portugues, o jornalista Rui Tendinha, disse que gostaria de ver a Palma atribuida a Noe porque, muito mais do que Lars Von Trier, o filme dele, `Enter the Void`, eh a verdadeira provocacao do 62.o festival. Rui me disse que a projecao foi marcada por vaias e aplausos como nunca viu e ele gostaria de ver o juri trabalhando com extremos, nao premiando obras consensuais (como o filme frances `Un Prophete`, de Jacques Audiard). O de Gaspar Noe trata de droga e incesto, sobre esse sujeito que estah morrendo – nao me lembro se ele disse que de overdose ou como consequencia de alguma briga, e o Noe cria uma cena de delirio que deve durar, segundo o jornalista portugues, uns 20 minutos. Rui me relatou mais uma cena que remete ao universo de `Irreversivel`. Como nesses documentarios `cientificos`, Noe, em `Enter the Void`, introduz uma camera miniaturizada na vagina de uma mulher para flagrar, olhem a doideira, o momento em que o homem ejacula dentro dela. Voces jah viram que Cannes, em 2009, foi prodigo em cenas de sexo. O casal que se chupa os dedos – ele chupa o dedao do peh dela; ela o polegar do parceiro – em `Thirst`, do coreano Park Chan-wook; a mulher que senta sem calcinha na cara de Sergi Lopez em `The Map of the Sounds of Tokyo`, de Isabel Coixet; a penetracao no Lars Von Trier, `Anti-Christ`, quero dizer no filme… Em vez do tradicional premio de qualidade artistica, a presidente do juri, Isabelle Huppert, poderia inovar premiando a melhor cena de sexo.

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