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Luiz Carlos Merten

20 Julho 2007 | 16h17

Só mais um postezinho, super-hiper-rápido. Estréia hoje Still Life, do Jia Zhang-Ke, rebatizado como Em Busca da Vida. O filme recebeu da crítica independente o título de pior sessão da Mostra do ano passado. Houve problemas, realmente, com a projeção em digital, mas eu fiquei de tal forma impactado que nem de brincadeira diria uma barbaridade dessas. Em Busca da Vida é a nossa capa de hoje do Caderno 2. Zanin (meu colega Luiz Zanin Oricchio) e eu escrevemos sobre o filme. É um complemento de The World (O Mundo), filme anterior do diretor. Começa com um ferry-boat chamado The World e que leva o protagonista, um dos – há uma mulher, cuja vida corre paralela –, para essa região da China em que está sendo construída a maior hidrelétrica do mundo. Não existe, para Zhang-Ke, outro tema senão as transformações que ocorrem na China, país que, durante uma só geração, saltou do comunismo para o capitalismo e hoje é uma das potências mundiais – tem gente (analistas) que jura que a guerra do futuro, econômica ou militar, será entre China e EUA. Engraçado, às vezes começo a postar sem pensar muito e só durante o texto percebo qual foi minha intenção. Elementar, como psicanálise. Ontem, quando Rubinho (Rubens Ewald Filho) me perguntou qual era o maior diretor do mundo, senão o Almodóvar, bem que eu poderia ter dito – Jia Zhang-Ke. Não acho que nenhum filme que vi dele seja perfeito, mas ele é tão poderoso que me rendo. Zhang-Ke pode não ser o maior do mundo, mas que pensa o mundo e o cinema de forma muito coerente (e audaciosa) não tenho a menor dúvida. As transformações que ele filma aplicam-se ao próprio cinema. E Zhang-Ke filma em digital. Faz das novas tecnologias uma estética, não marketing. Zhang-Ke é o cara!