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Cultura » Spielberg, o bem-amado

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Luiz Carlos Merten

18 Maio 2008 | 13h35

CANNES – Lola Montès ou Indiana Jones? O que vocês estão mais curiosos para ouvir-saber? Vou logo abrindo – ‘O Reino do Crâneo de Cristal’ não é tão bom quanto o segundo filme da série, ‘Indiana Jones e o Templo da Perdição’, que é, pelo menos para mim, o melhor de todos. Nas cenas iniciais, é como se o filme hesitasse, ou então são Spielberg, o produtor George Lucas e o próprio Harrison Ford nos lembrando de que o tempo passou e o Indy está mais velho, fora de forma, mas isso é só por umna parte. O final também me pareceu um tanto anticlimático, mas o miolo não nega fogo e a aventura engrena quando Shia Labeouf entra em cena no lombo de uma motocicleta, como um autêntico jovem transviado dos anos 50. Cannes virou uma praça de guerra, ao redor do palais, na manhã de hoje. Havia gente pelo ladrão, se dando cotoveladas para entrar no Grand Théâtre Lumière. A sessão estava marcada para 13 horas. A sala foi aberta uma hora antes. Lotou rapidamente. Até entrar e sentar, ficamos – eu fiquei – mais de 45 minutos à espera. Ontem, briguei num reeastaurante por ter esperado menos do que isso, mas o cinemas é um alimento para a alma, vocês sabem. Para a coletiva, foi a mesma coisa. Vieram Spielberg, George Lucas, Harrison Ford, Shia, Karen Allen, John Hurt e Ray Winstone. Spielberg disse que nunca parou de ser cobrado pelos fãs, que esperavam pelo quarto filme. Ele disse que se afastou do caminho, foi viver sua fase sombria como diretor – certamente a da trilogia formada ‘O Terminal, ‘Guerra dos Mundos’ e ‘Munique’ -, mas terminou por sentir que se devia, e devia ao público, mais uma superaventura. Harrison Ford disse que 20 anos mais tarde, Spielberg é ainda melhor diretor, e eu acredito. Hesito em dizer mais alguma coisa, porque entrei na sala sem saber nada e foi melhor. Vivi cada etapa do filme como surpresa. Não quero estragar a de vocês, mas o filme tem tudo o que agrada a Spielberg – relações familiares, ETs. Chega, Merten. No final, Spielberg saiu escoltado para o elevador. Dezenas de jornalistas, que não haviam conseguido entrar na sala, o chamavam. Como político em campanha, ele abriu caminho entre os seguranças, apertou muitas mãos, conversou com algunas pessoas. Juro que vi gentre chorando – uma mulher com o filho de, sei lá, 8 ou 10 anos. Teve uma época que eu também falava mal do Spielberg, aquelas bobagem da síndrome de Peter Pan, do cara que não amadurecia. Bulshit! A trilogia formada por ‘O Terminal’, ‘Guerra dos Mundos’ e ‘Munique’ me convenceu quão grande ele é. Acho que no olhar de devoção daquele público eu via pouco de mim.