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Luiz Carlos Merten

06 Maio 2008 | 13h59

Acabo de ver ‘Speed Racer’. Estou siderado. Confesso que não me impressionei muito com a trilogia ‘Matrix’, dos irmãos Wachowskis, mas achava interessante o intento deles de discutir conceitos filosóficos por meio de uma aventura que, no limite, pode ser definida como de artes marciais (entre outras coisas). Havia visto o trailer de ‘Speed Racer’ e todo aquele colorido me deixou meio atordoado. Pensei lá comigo – mas que bela porcaria vem aí. Andy e Larry – não sei qual deles mudou de sexo – me deixaram em transe. (Aliás, esta coisa de troca de identridade foi devidamente absorvida no filme, vocês vão ver.) Desde a trilogia ‘O Senhor dos Anéis’, nenhum outro filme, nem a saga do ‘Homem-Aranha’, que não deixa de ser outra história de família, me havia deixado essa impressão tão funda de que o cinemão pode se reinventar (e ainda nos, ou me, maravilhar). Há duas semanas, um pouco menos, fui ver ‘Dois Destinos’, do Zurlini, na sessão cinéfila do Espaço Unibanco. Foi bom ter (re)visto Mastroianni e Jacques Perrin naquele filme tão complexo e fascinante – uma rara experiência emocional –, porque agora em ‘Speed Racer” eu vi outra história de família, outra história de dois irmãos, de dois destinos. O filme retoma os conceitos filosóficos sobre a era da automação (e também as lutas…) de ‘Matrix’, mas eu tenho a impressão de que, por ser a história de dois irmãos, ‘Speed Racer’ tem mais a ver com os Wachowskis. Eles discutem o mundo globalizado, as corporações e a sensação que eu tinha é de que eles fizeram ‘Speed Racer’ para mim, ou para gente bcomo eu. Vocês que me acompanham às vezes devem achar que eu sou maluco – por cinema, eu sou, com certeza. Mas gente, todo aquele colorido, aquela coisa de videogame – nenhum outro filme assume tão radicalmente a HQ e os games para criar, ó paradoxo, uma animação com live action; atenção, Fábio – e eu chorei pelos dois irmãos, pelos dois destinos de ‘Speed Racer’! Ainda não me recuperei para poder pensar no filme com mais calma, mas aquele macaco não está lá por acaso, como uma extensão do infantil, do menino. Os Wachowskis estão querendo nos dizer alguma coisa sobre o consumismo no mundo global. Saí do cinema – o Kinoplex, lá no Itaim – com a cabeça a mil. ‘Speed Racer’ está me fazendo pensar mais – e enchendo minha cabeça com mais interrogações – do que ‘Nossa Vida não Cabe num Opala’, que, só agora ficou claro na minha cabeça, também é um filme sobre dois irmãos, embora na trama eles sejam mais (três). Só espero não cair na real daqui a pouco e chegar à conclusão de que foi fogo de palha e eu caí num engodo. Mas, enfim, o blog também é para isso. Se tiver de admitir que errei, por que não…?