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Luiz Carlos Merten

23 Julho 2008 | 19h10

PARIS – Cá estou eu de novo, pela sexta vez neste ano, na capital mundial da cinefilia. Cheguei ontem e, de cara, vi um filme – ‘A Ilha Nua’, de Kaneto Shindo. Hoje, vi mais um na retrospectiva do cinema japonês, ‘As Flores do Equinócio’, de Yasujiro Ozu, mais um noir, ‘The Spiral Staircase’, de Robert Siodmak, que aqui se chama Deux Mains, La Nuit’, e um filme de Vittorio De Sica. Não me perguntem por que, mas nunca havia assistido a ‘Matrimônio à Italiana’. O filme está sendo relançado em cópia nova. Nos créditos iniciais, consta a informação de que foi restaurado (em 2002) pela Associação de Amigos de Vittorio De Sica, que nem sabia que existia. Sempre ouvi falar que era uma comédia, mas na verdade é um melodrama, e melhor do que ‘Os Girassóis da Rússia’, que De Sica também fez com Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Fiquei agora na maior dúvida. Amanhã, tenho tempo de ver mais um filme antes de ir para o aeroporto, iniciando o caminho de volta para o Brasil. O que verei? ‘Palavras ao Vento’, também em cópia nova, num ciclo em homenagem ao rei do melodrama, Douglas Sirk, ou outro Ozu, ‘Crepuscule à Tokyo’, que não tenho certeza, mas acho que deve ser ‘Viagem a Tóquio’? Se for, é o meu Ozu favorito, com Chisu Ryu, e se não for é mais uma oportunidade de conhecer outras obras do grande diretor. Só quero assinalar uma coisa. Hoje estrearam aqui ‘Cidade dos Homens’, do Paulo Morelli, com críticas simpáticas na imprensa cotidiana, e o Im Kwon-taek que havia visto no Festival de Wroclaw. ‘Beyond the Years’ chama-se, aqui, ‘Souvenir’. É a história de um músico de pansori obcecado pela lembrança da meia-irmã cega (e cantora). Havia amado o filme. Kiko Goifman e Raquel Monteiro, que também estavam na Polônia, foram ver – segundo minha indicação – e acharam que era melodramático, horroroso etc. Comprei hoje as edições de julho de ‘Cahiers Du Cinéma’ – a capa é com Louis Garrel – e ‘Positif’ – um número dedicado a Michelangelo Antonioni. É raro que ‘Cahiers’ e ‘Positif’ cerrem fileiras elogiando os mesmos filmes. Está ocorrendo agora. Ambas as revistas amaram ‘Souvenir’, Chef d’oeuvre, obra-prima, é como definem o centésimo – 100º! – filme do mestre coreano. Kiko e Raquel me desculpem, mas é uma obra-prima. Se não for estrear, espero que pelo menos passe no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo.