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Luiz Carlos Merten

23 Agosto 2010 | 15h46

Não posso dizer que acompanhei o processo de ‘Nosso Lar’, mas tinha notícias periódicas do esforço de minha amiga Iafa Britz – a quem respeito muito – para produzir o filme mais caro do cinema brasileiro, por meio de sua nova produtora, a Migdal. ‘Nosso Lar’ custou US$ 1 milhão, o que pode ser caro para os padrões do cinema brasileiro, mas é uma bagatela para dispor de efeitos bons. Respeito à parte, tenho de admitir que o resultado me pareceu pior do que tinha medo que pudesse ser. E o que me incomodou foi o que gostei – a única coisa – no filme do Marco Ricca, a interpretação. ‘Nosso Lar’ reúne um monte de gente talentosa, mas eu até imagino o dilema do diretor Wagner de Assis. Querendo explicar o insucesso de ‘Terra dos Faraós’, Howard Hawks disse certa vez que não tinha a mínima ideia de como as pessoas falavam e se movimentavam no antigo Egito. O Wagner também deve ter se questionado como as pessoas falam e se movem depois da vida, no Nosso Lar? Ele adotou um tom declamatório e uma expressão beatífica que eu, às vezes, confesso que fechava os olhos para tentar lavar meu olhar do que me oferecia a tela. Tenho a impressão de que, se o sujeito não acredita na doutrina, não há de ser esse filme que o fará mudar de ideia. A representação do Umbral – é o inferno? – ainda vai, mas os figurinos e ambientes do Nosso Lar me pareceram bregas demais. Considerando-se a importância do filme para a Iafa, a Fox e a força da comunidade espírita, espero mais que ‘Nosso Lar’ aconteça nos cinemas brasileiros. Estou tentando ser respeitoso, mas a experiência humanística do filme – do espírito de André Luiz – não me seduziu. E olhem que li e reli ‘Há 2000 Anos’. Ou seja, não sou exatamente preconceituoso, ou mais preconceituoso do que a média.