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Luiz Carlos Merten

19 Junho 2007 | 15h30

I’m in heaven – sim, eu sei que o nome da canção é Cheek to Cheek, mas a verdade é que estou no céu. Cheguei ontem à noite em casa e havia um pacote à minha espera. Alô/alô, Sérgio Leeman, chegou! Sérgio, ex-diretor de programação da rede Telecine, mora agora em Portugal, onde deslumbra os portugueses com a ótima programação que, tenho certeza, deve estar organizando no Telecine de lá. Sérgio é freqüentador do blog. Leu meu post sobre a morte de Luigi Comencini e, não contente em postar um comentário, me ligou para que conversássemos sobre nossas preferências no cinema italiano. Sérgio me havia prometido uma série de DVDs de filmes que andou programando por lá e que ele sabia que eu adoraria (re)ver. São tantos, mas só para vocês terem uma idéia – do pacote que ele enviou constam Vagas Estrelas da Ursa, de Visconti; A Longa Noite de Loucuras (La Notte Brava), de Bolognini, sobre roteiro de Pasolini; A Garota de Bube, de Comencini; e mais um monte de filmes de deixar cinéfilos babando, incluindo Chacun son Cinéma, com a homenagem que Cannes, para comemorar seu 60º aniversário, encomendou a mais de 30 diretores de todo o mundo, incluindo, do Brasil, Walter Salles. Sabendo do meu amor por Gordon Douglas – ouso dizer que ele programou Rio Conchos, quando estava no Telecine, para calar minha boca, de tanto que eu pedia –, Sérgio incluiu no lote um filme do diretor no começo dos anos 60. Em 1959, Fred Zinnemann havia feito, na Warner, Uma Cruz à Beira do Abismo (A Nun’s Story), com Audrey Hepburn confrontada com questões de consciência e que abandonava o hábito. O filme, como quase todos do diretor, virou uma obra de prestígio do cinema americano da época. Dois anos depois, Gordon Douglas, mero assalariado que não tinha míseros 10% do prestígio de Zinnemann na casa, fez, também na Warner, The Sins of Rachel Cade, com Angie Dickinson na pele de uma freirinha belga que vai para o Congo, onde se envolve em conflitos tribais e tem um romance com o médico Peter Finch. Já que enfiei o pé na jaca e disse que prefiro A Força do Amor a Acossado, não custa dizer que também prefiro o filme de Douglas ao de Zinnemann, embora ele seja definido como ‘melodrama túrgido’ no guia do Leonard Maltin, que fui consultar. No Brasil, onde o título Os Pecados de Rachel Cade talvez tenha sido considerado forte demais – afinal, uma freira –, chamou-se Um Raio em Céu Sereno. Agora me digam tenho ou não tenho motivo para estar in heaven?

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