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Solta minha orelha, Fábio!

Luiz Carlos Merten

02 Maio 2008 | 12h05

RECIFE – Abri somente agora o blog e a orelha dá doendo com o puxão que recebi do Fábio. Sorry, Fábio, mas eu tenho lá meus defeitos – muitos – e um deles tenho de admitir que é não conseguir levar muito a sério as HQs. Até já tentei descobrir por quê, pensando seriamente no assunto, cá com meus botões. Não sei, pode ser uma coisa geracional. Comecei lendo livros e as HQs da minha infância eram o Tin-Tin e uns gibis que eu nem ouço falar mais hoje em dia. Adorava Dan-El e Na-tan, os irmãos de lança, cujas aventuras me divertiam – a mim que devorava os volumes das coleções Saraiva e Terramarear. Talvez fosse isso. Eu li todo Edgar Rice Burroughs, todo Rafael Sabatini, todo Emilio Salgari (ah, Sandokan…). Nunca precisei que a validação ‘cultural’ das HQs, nos anos 60, me liberasse para curtir o que, do ponto de vista da ‘alta’ cultura, era menor, até então. Eu já vinha fazendo isso há tempos, nos livros. Aí, veio a TV, mudando o conceito de absorção visual, como perceberam certos teóricos da comunicação, e o mundo nunca mais foi o mesmo. As HQs assimilaram o cinema, por meio de ângulação, corte e montagem – agora, ocorre o movimento inverso – e viraram cultura ‘séria’ e, como tal, objeto de análise de estudiosos. Quando isso ocorreu, confesso que achei excessivo. Mas compreendo – as HQs tornaram-se aquilo que se pode definir como ‘self concious’, muito autoconscientes da própria importância. Existem ali comentários sociais que não sigo seguir porque parei de acompanhar. Mas vejam bem – todos esses super-heróis começaram simples, num mundo dividido pela guerra ou polarizado pelo embate entre as superpotênmcioas. As coisas foram ficando mais complicadas, como o mundo, nos 60 e 70. Stan Lee virou uma espécie de arauto desta nova era e, fazer o quê, sou o mais o barroquismo das imagens do Tarzã de Bruce Hogarth ou o estilo mais clean, embora detalhado, do Príncipe Valente de Hal Foster, que foi sempre meu personagem favorito. Curtia tanto que gostei até da adaptação de Henry Hathaway, com Robert Wagner. Mas, cara, eu gostei do ‘Iron Man’! Não tinha pensado, tonto que sou, que as modelos iam para a cama com Stark só porque ele era milionário – aliás, na cena de sexo, na abertura, Robert Downey Jr. fica paradinho e a mulher é que desempenha. É isso, então? Piranhas? Temos tantos exemplos de mulheres que usaram/usam jogadores de futebol, pilotos de automobilismo e astros de rock para se promover. Velho como o mundo. Quando vir o filme de novo vou olhar mais por este lado.