Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Socorro! Onde está o público?

Cultura

Luiz Carlos Merten

27 Julho 2007 | 17h27

É uma coisa que ando querendo comentar a semana inteira e acho que deve estar preocupando todo o mundo. O que o público está querendo ver por estes dias? Temos uma corrida aos blockbusters de Hollywood e aos filmes difíceis, de autor, tipo Resnais, cada um no seu nicho de público. O que ninguém parece que está muito a fim de ver é filme brasileiro. Cão sem Dono fez em torno de 30 mil espectadores, mas você pode dizer que o tipo de cinema que Beto Brant e Renato Cascia fazem é biscoito fino para iniciados. Lançado com 58 cópias, Saneamento Básico – O Filme fez 49.600 e poucos espectadores durante a primeira semana (até ontem). Ou seja, menos de 1000 espectdores por cópia, quando um blockbuster do cinema brasileiro, como Se Eu Fosse Você, fez mais de 1700 espectadores por cópia – eram em torno de 190 – só no primeiro fim de semana. Saneamento Básico fez um quarto disso, em torno de 400. O problema deste número é que Jorge Furtado fez Saneamento Básico para ser um filme de mercado, atraente para as massas. Ele queria ganhar o público e, obviamente, não ganhou, pelo menos nesta primeira semana. O filme está dobrando com igual número de cópias. Poderá crescer no segundo fim de semana. Não é o que ocorre normalmente, mas o boca-a-boca tem sido positivo e, se você entrar numa sala, durante a projeção, vai ver que o público ri bastante. O que não está funcionando? É o título? O público está preferindo ver o Pan, em vez de ir aos cinemas? Muitas explicações podem ser buscadas (e encontradas), mas essa baixa freqüência preocupa. Não estou pensando em estouros de bilheteria, em outro 2 Filhos de Francisco. Mas 30 mil espectadores, 50 mil espectadores – e há gente fazendo muito menos que isso – me preocupam como sintoma. Fico p… quando ouço pessoas dizendo que números não significam nada, que grandes filmes (no País e no exterior) foram fracassos memoráveis porque estavam à frente de seu tempo, e também que os filmes de massas são consumidos por platéias alienadas e colonizadas (já ouvi isso). É até verdade, mas ficar contente por não ter público é uma atitude suicida. A questão do cinema brasileiro é complexa, a gente não se cansa de dizer. Mas uma observação é até simples – por que as pessoas não estão vendo esses filmes? Um artístico e outro popular. Tem para todos os gostos e, afinal, não está tendo ninguém.