Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Socorro! Minha aventura com a mochila

Cultura

Luiz Carlos Merten

14 Dezembro 2011 | 10h26

RIO – Cá estou no Rio, para onde vim ontem à tarde, para assistir de novo a ‘Missão Impossível – Protocolo Fantasma’ e para fazer hoje à noite vermelho, minha única chance de one a one com Tom Cruise. Gosto muito do filme de Brad Bird, da série toda na verdade, mas me encanta como Cruise, como produtor, consegue fornecer elementos para que cada diretor, em cada um dos filmes, consiga imprimir sua marca. Meu preferido continua sendo o 2, com aquele jogo de máscaras de John Woo, mas gosto muito do 3, de JJ Abrams, e do 4. São meus preferidos, o que não significa que não goste do primeiro, de Brian De Palma. Tenho algumas historinhas para contar. Minha filha sofreu uma queda e quebrou uma costela e, como eu, pai ingrato, tinha de viajar de novo – nem esquentei minha cama em São Paulo, ao regressar de Londres, e já estava no avião outra vez -, ela está na casa de uma amiga. Sorry, Lúcia, mas estou voltando para casa amanhã. É promessa. Como ia ficar pouco tempo aqui, resolvi disapensar a mala e peguei, na corrida, uma mochila da Lu. Como não tenho hábito de usar mochila e nem olhei direito a que estava carregando, ocorreu de eu pegar outra mochila no raio X. Só descobri no final da tarde, no hotel. Voltei correndo ao aeroporto e descobri que, em São Paulo, já me haviam identificado na filmagem do raio-X. Mais um pouco e a Polícia Federal, quem sabe a Interpol, estariam atrás de mim. Minha aventura da mochila poderia virar roteiro de filme, ~eu hein? Aproveito para dizer que, no ‘Caderno 2’ de hoje, faço matrérias sobre os DVDs de ‘O Incrível Homem Que Encolheu’, o clássico fantástico de Jack Arnold, e também de ‘O Enigma de Uma Vida’, o cult de Frank Perry com Burt Lancaster como o nadador (‘The Swimmer’, título original) que faz o inventário de sua vida nadando nas piscinas da vizinhança, na tentativa de voltar paras casa. Perry foi um diretor curioso e na sua melhor fase, nos anos 1960 e começo dos 70, fazia filmes de pegada psicanalítica, bastante críticos da sociedade norte-americana. Seus filmes, naquele tempo, eram escritos por Eleanor Perry, com quem esteve casado, e por isso mesmo há controvérsia sobre se o que há de bom em ‘O Último Verão’ e ‘Quando Nem Um Amante Resolve’, Diary of a Mad Housewife, não é mérito dela, porque após o divórcio, Frank, entregue a si mesmo, desceu a ladeira com filmes que foram ficando cada vez piores. Volto daqui a pouco com os melhores da APCA.