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Luiz Carlos Merten

22 Outubro 2007 | 08h22

Erro, vocês sabem, mas estou numa posição em que não posso corrigir o erro, simplesmente por me haver enrolado e não saber mais o que pensar. Ontem, quando saí correndo do jornal para ir ao Sesc Belezinho assistir a ‘Les Ephemères’, do Theatre du Soleil, estava quase chegando na porta quando pensei uma coisa e voltei correndo para corrigir na matéria do Claude Lelouch, que está hoje no ‘Caderno 2.’ Acho que era a única coisa que sabia de antemão que queria perguntar para ele, na entrevista realizada na sexta-feira – amo o plano final de Annie Girardot no areroporto, à espera do homem de sua vida, que marcou de chegar naquele avião, mas ela não está segura de que ele venha ou não. Quando falei com o diretor, citei Jean-Paul Belmondo e ‘O Homem Que Eu Amo’ e ele me explicou como brincou de Deus, construindo a cena para induzir a grande Annie, a Nadia de ‘Rocco e Seus Irmãos’, para aquele momento genial. Ocorre que, falando sobre ‘O Homem Que Eu Amo’, engatei uma conversa sobre Candice Bergen, com quem Lelouch trabalhou (e em outro filme com Annie, mais Yves Montand, ‘Viver por Viver’). Estava saindo quando pensei na conversa sobre Candice e pensei – errei! Voltei correndo – à mesa do João Luiz Sampaio; meu terminal já estava fechado – e tentei fazer uma consulta rápida para tirar a dúvida. Não consegui nenhum elemento para confirmação, mas pô, devia ter me ligado. Citei o título do filme e o próprio diretor não me corrigiu. Mas estava com aquele negócio da Candice na minha cabeça – na dúvida, corrigi no texto e coloquei ‘Viver por Viver’ e Montand. Mas não é – tenho certeza de que era Belmondo, em ‘O Homem Que Eu Amo’. Eles são franceses nos EUA. Visitam Monument Valley, um solo sagrado do western. Tem a cena em que se imaginam perseguidos pelos índios, como num bangue-bangue de John Ford (coisa que Robert Zemeckis repetiu na série ‘De Volta para o Futuro 3’ – os peles-vermelhas correndo atrás do carro envenenado de Doc e Marty McFly). De volta a ‘O Homem Que Eu Amo’, eles marcam encontro na França. É isso, agora tenho certeza. ‘Viver por Viver’ é diferente. Ele é repórter de TV, vive viajando. É casado com Annie e tem essa amante americana, Candice. No final, indeciso entre as duas, ele volta para casa e Annie o está esperando no carro. É isso! O detalhe do carro, em vez do avião. Nessa altura, deve ter gente querendo me matar – estou contando o final de dois filmes, mas para saber o que ocorre com Annie no ‘Homem’ vocês precisam ver (até para crer). Sorry, mas quem sabe vocês me ajudam para eu fazer uma errata com convicção. Nada pior do que errar numa correção e ter de fazer a errata da errata. Alguém tem como me confirmar se a cena final que descrevo no texto do ‘Estado’ é mesmo de ‘O Homem que Eu Amo’?