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Luiz Carlos Merten

29 Setembro 2011 | 21h41

Cheguei ontem em casa e me esperavam alguns DVDs de colecionador da Paramount, enviados por minha amiga Madalena Martins. ‘Barbarella’, o cult de Roger Vadim que estabeleceu Jane Fonda como mito sexual em meados dos anos 1960; ‘O Terror das Mulheres’, um dos meus filmes preferidos de Jerry Lewis, com aquela cena surreal em que ele vai tirar o pó do quadro com as borboletas espetadas e elas saem voando – foi a primeira vez que pernsei comigo: este cara é genial -; ‘Como Conquistar as Mulheres’, Alfie, a primeira versão, de Lewis Gilbert, com Michael Caine;  ‘Geleiras do Inferno’, de William Wellman, com John Wayne; e o único que não conheço, ‘Pergaminho Fatídico’, de John Farrow, o pai de Mia, com Glenn Ford. Ah, sim, tem mais um – e é outro John Wayne, ‘Jake Grandão’, que também acaba de sair em blu-ray, um western de George Sherman em que o Duke, separado de Maureen O’Hara, volta para a casa dela porque o neto de ambos foi sequestrado e foi um erro dos bandidos, porque Big John vai pegar em armas e… Vocês sabem. George Sherman está longe de desfrutar de uma grande reputação junto aos críticos, mas pode-se assistir com prazer a muitas de suas incursões pelas pradarias do Velho Oeste (‘O Tesouro de Pancho Villa’, ‘Cavalgada para o Inferno’, ‘O Grande Guerreiro’ etc). O próprio ‘Jake Grandão’ tem certo encanto, embora boa parte dele venha da reunião, pela última vez, da dupla fordiana Wayne/O’Hara. O filme também é interpretado pelos filhos de Robert Mitchum (Christopher) e do próprio John Wayne (Patrick), o que acentua o caráter familiar, e não apenas pela trama. Aproveito o post para mudar o tom e manifestar minha indignação. Devo a meu amigo Márcio Fracarolli, da Paris Filmes, a oportunidade de ter enttrevistado – uma one a one – Woody Allen em Cannes, em maio. Mas a Paris Filmes me fez sair do sério no fim de semana. Devo ter ido só aos cinemas errados, mas queria ver o ‘Sem Saída’ de John Singleton, com o lobinho Taylor Lautner. Só encontrei versões dubladas e foi numa delas que assisti ao filme no PlayArte Marabá. Antes, só animações eram dubladas nos cinemas, mas agora, cada vez mais, os filmes saem nas duas opções, dublados e legendados, e as cópias das primeiras vão ultrapassando as segundas. Isso também é outra consequência da ascensão das classes C e D, que está mudando o mercado? Se for, lamento. Sempre achei que o Brasil, que o Gal. De Gaulle considerava ‘pas serieux’, era bem mais sério que a França pelo menos nesse quesito, porque lá, como em toda Europa – Espanha, Itália, Alemanha -, os filmes são falados nos idiomas locais. Mas até isso estamos copiando? E que raio de juventude é essa – eu devia ser o mais velho, na sala, para ver o astro da série ‘Crepúsculo’ – que tem  tanta preguiça, ou será que é analfabeta mesmo, para dispensar as legendas? Vou muito ao Marabá e me irrita quando aquelas funcionáreias me advertem que as cópias dos filmes que quero ver têm legendas, como se fosse um problema. Justamente no caso de ‘Sem Saída’ a garota não disse nada, e eu deveria ter desconfiado que ali vinha bomba. Que m…, não?