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Luiz Carlos Merten

14 Outubro 2009 | 09h28

Estava ontem em choque, ainda aturdido pelo efeito que a revisão de filmes como ‘Anticristo’, de Lars Von Trier, e ‘Bastardos Inglórios’, de Quentin arantino, teve sobre mim. Hoje estou chocado – desde o domingo, vinha tentando ver ‘Deixa Ela Entrar’, mas o filme de vampiros do sueco Tomas Alfredson estava sempre lotado – mais que o ‘Bastardos’, vejam só. Ontem, finalmente, consegui vê-lo. É engraçado, mas o filme caiu da sala lotada para meia dúzia de gatos pingados. Não vou dizer que é o pior filme que já vi (embora talvez seja o pior de vampiros, he-he, porque metido a besta). Sério. Não entendi nada. Filme jovem, original, cheio de ideias. Não sei, não, mas os filmes sobre os quais tenho ouvido essas referências ultimamente são os que menos ideias expressam, ou as que menos têm me interessado. Enfim, posso estar sendo elitista – ou popularesco? –, pois minha colega Leo Brioto me contou que o filho dela foi ver e a garotada do shopping brindou o ‘Deixa Ela Entrar’ com uma vaia monumental… Como não estou com muita paciência para falar do filme que me aborreceu, quero aproveitar para falar de outra coisa, mais interessante. No Festival do Rio, saindo de um cinema para outro e sem ver filmes ‘normais’, do circuito exibidor, estava há um tempão sem ver trailers. Voltei à tal ‘normalidade’ – do circuito – e não aguento mais ver as imagens de ‘Lula, o Filho do Brasil’. Já vi o trailer quatro vezes! Menos, por favor. Ouvi, no Festival do Rio, que o produtor Luiz Carlos Barreto, defendendo-se dos ataques ao filme de seu filho Fábio – a voz corrente é que foi feito para eleger a candidata de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Roussef –, descartou que a obra tenha comprometimento político. E, afinal, foi feito com recursos públicos de lei de incentivo? Barretão chorou as pitangas. Tem, sei lá, 50 e tantos anos de carreira e sua empresa está no vermelho, do qual ele espera sair com 25 milhões de espectadores – sua expectativa em relação ao ‘Filho do Brasil’. Tá todo mundo caindo de pau no filme e é tarefa fácil, porque Fábio Barreto, Deus me perdoe, talvez seja o mais odiado, pela crítica, dos diretores brasileiros. Você não pode reunir três críticos sem que surjam piadas sobre ‘Bela Donna’, ‘Jacobina’ e ‘Nossa Senhora do Caravaggio’, no qual Luciano Szafir tem a cena de bêbado – salve ‘O Ébrio’ – mais risível da história do cinema brasileiro. Já ouvi duas ou três referências ‘simpáticas’, de que o filme é bem feito e o melhor de Fábio desde ‘O Quatrilho’, que era bem produzido, justiça seja feita. Pode até ser, mas, antes da ideologia, ou da ‘denúncia’, ‘Lula’ já tem a crítica contra só por ser de Fábio Barreto. Enquanto isso, Barretão sonha alto, com recorde de público. Vou dar minha modesta sugestão. Tire o filme de circulação, por ora. Sei que o cinema precisa de visibilidade, e o nacional mais ainda, mas, se eu vir mais uma vez aquele trailer, vou ter um troço. Glória Pires é ótima, e tem uma máscara maravilhosa de nordestina lutadora, mas quando ela abre a boca para dar nome ao filho, no filme, o sotaque ‘agreste’ da Globo é uma coisa horrorosa. Ela vai ficar falando o tempo todo daquele jeito? A prosódia regionalista da Globo ainda vai acabar conosco… ‘Lula, o Filho do Brasil’ está programado para estrear em janeiro. Faltam quanto? Três meses? E o trailer vai ficar passando direto no Arteplex? Socorro, Adhemar (Oliveira)…