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Luiz Carlos Merten

26 Dezembro 2010 | 12h54

PORTO ALEGRE – Olá pessoal. Estou desde quinta em Porto. Sorry por não ter dado notícias antes. Não estava me sentindo bem no primeiro dia, era o aniversário da Dóris, minha ex. Mal cheguei, tinha para redigir as matérias de hoje do ‘Caderno 2′, com a retrospectiva da década, centrada no aporte das novas tecnologias. Foi um sofoco. Não me adaptei ao laptop da Dóris e saí atrás de uma lan house. Redigi o primeiro texto, grandinho, com cerca de 5 mil caracteres e, na hora de colar no e-mail, o texto associou com outro e eu perdi o que havia escrito. Tive de começar de novo e, se já não estava muito bem, com o estresse piorou bastante. Houve o jantar de aniversário, só Dóris, Lúcia e eu, Não consegui dormir a noite inteira, paralisado das cintura para baixo, as pernas me pesavam – me doíam – como se tivessem cem quilos cada. Passei metade da sexta-feira na emergência do Hospitasl Mãe de Deus. Me fizeram todo tipo de exame – sangue, urina, tomografia. Os sintomas eram desencontrasdos ernão permitirasm um diasgnóstico. O bom foi que me deram um analgésico que terminou tirando a dor, mas também me deixou sonolento. Na ceia e, depois, na entrega dos presentes, já estava dormindo. Capotei e durmi cerca de 12 horas seguidas, durante as quais um toró medonho se abateu sobre Porto. Chuva que não acabava mais, com trovões, raios. Não vi nada. Ao acordar, estava me sentindo outro e aí fui para…. o cinema, claro. Vi ’72 Horas’, de Paul Haggis, remake do francês ‘Tudo por Ela’, de Fred Cavayé, com Vincent Lindon no papel que agora é de Russell Crowe e Elizabeth Banks substituindo Diane Kruger. Não sabia nada do filme, muito menos que era uma refilmagem. Crowe faz de tudo para tirar a mulher da cadeia, para onde ela foi, acusada de assassinato. Foi interessante ver o filme antigo – na verdade, recente, deve ter dois ou três anos, assisti-o em Paris, durante os Rencontres du Cinema Français – voltar na minha lembrança. Haggis seguiu praticamente o roteiro original e, até onde me lembro, repetiu Cavayé plano por plano até que Crowe & Baanks atravessam o pedágio, em fuga, A partir daí, o filme muda, toma outro rumo. Emendei com ‘Amor por Contrato’ (The Joneses), de Derrick Borte, que eu não faço a menor ideia de quem seja. Era outro filme sobre o qual não sabia nada, sobre uma família aparentemente perfeita, mas aí, de repente, a filha está indo para a cama do pai, que dorme separado e e a garota é pilhada pelas mãe na hora H. Que raio de família é essa? Não vou entrar em detalhes, mas o filme é muito interessante ao discutir a célula sobre a qual se alicerça a sociedade e ao discutir o consumismo que aquece a economia global. Liberdade, que já foi uma calça azul e desbotada, hoje é o direito de escolher aquilo para o qual fomos sugestionados. Lembrei-me de Richard Brooks, de ‘Thje Happy Ending’, na cena em que Lloyd Brisges – é ele, não? -, explica porque as pessoas se casam. Amor não tem nada a ver com isso. As pessoas são estimuladfas a se casar, porque quem casa quer casa e tem de montar uma, c0mprando tudo e é o que faz a economia – o mundo – andar. Brooks fez o filme dele por volta de 1970, há 40 anos, e Derrick mostra asgora essa fasmília formastada para desenvolver nos outros o desejo de comprar todos os objetos supérfluos que sinalizam para o sucesso – e luxo – de seus integrantes. O filme foi uma supresa, mas o final, não é que seja bobo. O diretor arregla, em vez de radicalizar. Demi Moore é um fenômeno. Sei lá o que ela faz e a vitamina do Ashton Kutcher também deve ajudar, mas a mulher está mais exuberante do que há não sei quantos asnos atrás. Gostei da filha que está entrando na caminha de papai David Duchovny e, se não me engano, Olivia Wilde está no elenco de ‘Tron, o Legado’. Agora ´pela manhã, vi mais cinema na TV paga. Aliás, na quinta já hasvis visto parte de ‘Kill Bill 2’. Estava zapeando, entraram as imagens do duelo entrte Uma Thurman e Daryl Hannah e aquilo é tão eletrizante que não consigo desgrudar o olho. Vi o Tarantino até o fim, como hoje sintonizei ‘A Noviça Rebelde’, Julie Andrews, ‘Maria’, e as crianças cantavam suas coisas favoritas e, claro, a partir daí, fiquei refém do musical de Robert Wise. Agora, chega, dei notícias. Quero (re)ver ‘O Concerto’, de Radu Mihaileanu. Espero que tenham tido um bom Natal. Ah, sim, visitei minha irmã, Marlene. Meu cunhado, Mário Pacheco, é louco por cinema. Conversamos sobre filmes ‘natalinos’. O preferido dele é ‘A Felicidade não se Compra’, de Frank Capra. O meu é ‘Gremlins’, de Joe Dante. E o de vocês?