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Luiz Carlos Merten

05 Abril 2008 | 13h50

Fui ver ontem à noite ‘A Senhora dos Afogados’, na versão de Antunes Filho, e ainda estou pensando se vale a pena registrar minha opinião. Havia visto outra recente montagem da tragédia de Nelson e até pensei, se não escrevi, que a prosa rodrigueana é tão forte que resiste a tudo, até a estripulias como inserir números musicais na trama. Não estou muito certo de que resista a Antunes Filho, embora esteja na contramão, tenho certeza, daquele público que aplaudiu freneticamente, e eu diria um tanto histericamente, no final. Cada vez que aquele coro se movimentava em cena eu pensava estar assistindo a um velho filme soviético da idade de ouro. Passo por cima da dicção dos atores para não ofender ninguém – o que é o sotaque ‘estrangeiro’ da atriz que faz Eduarda? – e também sobre o figurino, com aqueles sobretudos pretos que o Antunes deve ter comprado, há anos, numa liquidação e agora fica repetindo em todos os seus espetáculos. ‘A Senhora dos Afogados’ me derrubou. Queria uma padiola na saída do Sesc Anchieta. Pensei lá com meus botões… Meu ex-editor, Evaldo Mocarzel, integrou o grupo de dramaturgia do Antunes e disse que eles viam muito cinema russo, Sokhurov, principalmente. (A propósito, vocês já viram ‘O Sol’? É maravilhoso.) Não entendo que alguém que goste do Sokhurov promova aquela gritaria em cena. Bradem mais, gritem menos, por favor. Vejam que eu comecei o post dizendo que não ia falar sobre ‘A Senhora dos Afogados’, mas não resisti e falei. Ia encerrar o post, mas para não ficar só no teatro – que alguns de vocês já disseram que não ligam a mínima quando falo no assunto -, volto ao texto de ontem sobre ‘Falsa Loira’. Adorei o filme de Carlos Reichenbach e quero acrescentar, com todo respeito, que fez muito bem para ele entrar com sua câmera na mania da preferência nacional. Dois dos melhores filmes brasileiros recentes – ‘O Cheiro do Ralo’, de Heitor Dhalia, e ‘Estômago’, de Marcos Jorge, que estréia na semana que vem – compartilham o gosto pelo bizarro e pela bunda (me desculpem, mas tem de ser bunda, não dá para escrever bumbum) das mulheres. Logo na abertura de ‘Falsa Loira’, Rosanne Mulholland – linda, sexy e talentosíssima – avança pelo corredor da feira, sob cantadas da galera e passa pela câmera, revelando aquela fartura. Carlão é respeitoso, não dá uma zoom naquele trazeiro, mas vou contar para vocês – elas, as b… (agora vai nos três pontinhos) estão virando amuletos do bom cinema nacional.

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