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Luiz Carlos Merten

28 Dezembro 2010 | 13h07

Cá estou de volta a São Paulo. Desde ontem, mas cheguei à tarde e já me enfurnei no cinema. Estou agora na redação do ‘Estado’, embora, teoricamente, esteja de folga até amanhã. Vim para redigir algumas críticas sobre filmes que havia omitido nas estreias de sexta passada – ‘ 72 Horas’ e ‘Amor por Contrato’. Também tenho de fazer a retrospectiva do ano, vamos lá. Não resisto a destilar mais um pouquinho do meu ódio pela pior das companhias aéreas, a Gol. Saudades da Varig, meu Deus! Como não tenho mais preferência, compro bilhete onde a oferta for melhor, mas é uma surpresa  atrás da outra. Na volta de Natal, na estreia dos Cloowns de Shakespeare (e Gabriel Villela), a poltrona não reclinava e foram cerca de três horas de voo, à noite. Teria dormido legal, mas de luz ligada e poltrona na vertical ficou mais difícil. Ontem, no check-in, a garota gentilmente me ofereceu a janela – 8F -, que topei movido pelo desejo de ver Porto Alegre do alto. Ela só se esqueceu de me dizer que não tinha janela e, portanto, não veria nada.  Independentemente de ocorrer comigo, fico indignado com essas coisas. Se as outras poltronas reclinam e têm janela, por que algumas não oferecem o mesmo serviço? E, se não oferecem, é justo pagar o mesmo preço? Se eu vou num hotel de frente para a praia de Copacabana, sei que vou pagar por isso, mas se fico na lateral, o preço é menor. Como deixam construir essas aeronaves? Já não chega o espaço entre poltronas ser coisa para deixar todo mundo feito sardinha em lata? É a chamada economia de resultado. As companhias e sei lá quem mais deveria zelar pelo consumidor nesses casos (a Infraero?) estão cagando. Francamente… Desabafei, pronto. Agora, quero falar de ‘Sob o Sol da Toscana’. Revi na TV paga, em Porto, o longa de Audrey Wells com Diane Lane. Para o que pretendo relatar a seguir, fui fazer uma pesquisa na internet. Encontrei um catatau de críticas contra o filme. O tom dominante é que a diretora reduz a Itália a um monte de clichês. Ué, Woody Allen fez a mesma coisa com a Espanha em ‘Vicky Cristina Barcelona’ e por isso era bom para esses mesmos críticos. Não dá para levar essa gente a sério. ‘Sob o Sol da Toscana’ meio que filtra a região pelo cinema, por meio de um monte de referências. Mas eu não me lembrava do essencial! Quando Mario Monicelli morreu, esqueci-me completamente de ‘Sob o Sol da Toscana’. Monicelli faz uma raríssima participação como ator. E, embora o papel seja pequeno, é ele quem detém a chave do filme. Me emocionei muito vendo o velho. A sua generosidade me encantou. Talvez Monicelli tenha aceitado – tenha aceito me soa mal – por galanteria. Afinal, Diane Lane é deslumbrante. Fiquei tocado. E renovei comigo, pela segunda vez, depois do filme de Abbas Kiarostami com Juliette Binoche, meus votos de um dia me soltar pela Toscana. Passar férias inteiras viajando pela região, descobrindo aquelas cidadezinhas todas. Pode ser que nunca realize esse desejo. Não faz mal. Sempre terei o cinema. Os filmes dos irmãos Taviani, Bernardo Bertolucci, Audrey Wells…