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Luiz Carlos Merten

28 Novembro 2007 | 15h41

É até irrresponsabilidade minha querer comentar a premiação de Brasília, já que não estava lá e não assisti a nenhum dos filmes concorrentes. Mas acho, mesmo assim, uma bizarrice. Se o júri queria lotear os Candangos, como parece que loteou – excluindo só o filme pernambucano –, acho no mínimo curioso que, na divisão filme/diretor, Bressane tenha recebido o prêmio de melhor filme por sua ‘Cleópatra’ (vaiada, informa Luiz Zanin Oricchio na matéria que sai amanhã no Caderno 2) e Laís Bodanzky tenha ficado com a estatueta de direção (por ‘Chega de Saudade’, tão adorado pelo público que levou o Candango do júri popular). Se era para dividir, o que sou contra, não era mais sensato dar o prêmio de melhor filme para Laís e o de direção para ‘Cleópatra’? Ah, mas agora eu entendi. Dar o prêmio de melhor filme para ‘Chega de Saudade’ seria contemporizar com o público, que vaiou Bressane e deu seu prêmio a Laís. Ao mesmo tempo, premiar direção e roteiro de ‘Chega de Saudade’ é mais do que reconhecer que foi feito um arranjo para dar ao senhor de Brasília um prêmio à altura do seu prestígio. Melhor calar minha boca e esperar para ver os filmes quando estrearem aqui (quando?). Só espero que o júri de Brasília não tenha repetido o de Gramado, que loteou sua premiação e conseguiu o prodígio de esquecer justamente um dos melhores filmes do evento – ‘Otávio e as Letras’, de Marcelo Masagão. Kleber Mendonça Filho tinha me falado de maneira muito positiva sobre o filme pernambucano. Disse que ‘Amigos de Risco’, de Daniel Bandeira,ia polarizar Brasília, provocar discussão. Não provocou nada. Bressane, com vaia e tudo, levou mais uma vez.