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Só curta brasileiro na Quinzena

Luiz Carlos Merten

21 Abril 2017 | 10h32

Nos últimos anos, a imprensa francesa tem estimulado uma briga feia entre a seleção oficial de Cannes, que inclui a competição e a seção Un Certain Regard, e a mostra Quinzena dos Realizadores. Essa última virou a queridinha da crítica, até por ter a chancela da Societé des Réalisateurs de Films, mas eu me pergunto se não haverá por trás disso uma tentativa de desestabilizar o diretor artístico (delégué-général), Thierry Frémaux. Nesta manhã, em Paris, foi feito o anúncio dos filmes que estarão na Quinzena deste ano, a de número 49, entre os dias 17 e 28 de maio. Quer dizer, essas são as datas de abertura e encerramento do festival. A Quinzena começa um dia depois e se encerra um dia antes. O Brasil, de novo, não cravou nenhum longa, mas terá um curta – Nada, de Gabriel Martins, um dos criadores da produtora mineira Filmes de Plástico. Confesso que essa ausência do cinema brasileiro em Cannes está me decepcionado, e muito. Botava fé nos novos filmes de Cacá Diegues e Felipe Barbosa, me falavam do novo Marco Dutra. Só sobrou agora a Semana da Crítica, que terá Kleber Mendonça na presidência do júri. Impossível que não tenha brasileiro concorrendo. Entre os longas selecionados da Quinzena, dois são produzidos pela RT Features, de Rodrigo Teixeira: A Ciambra e Patti Cake$, que foi muito elogiado em Sundance, onde Teixeira é figura carimbada.
FILME DE ABERTURA – Un Beau Soleil Intérieur, de Claire Denis
A Ciambra, de Jonas Carpignano
Alive in France, de Abel Ferrara
L’Amant D’un Jour, de Philippe Garrel
Bushwick, de Cary Murnion e Jonathan Milott
Cuori Puri, de Roberto de Paolis
The Florida Project, de Sean Baker
Frost, de Sharunas Bartas
I am Not a Witch, de Rungano Nyoni
Jeannette, L’Enfance de Jeanne D’Arc, de Bruno Dumont
L’Intrusa, de Leonardo Di Costanzo
La Defensa Del Dragón, de Natalia Santa
Marlina Si Pembunuh Dalam Empat Babak, de Mouly Surya
Mobile Homes, de Vladimir de Fontenay
Nothingwood, de Sonia Kronlund
Ôtez-Moi D’un Doute, Carine Tardieu
The Rider, de Chloé Zhao
West of the Jordan River, de Amos Gitai
FILME DE ENCERRAMENTO: Patti Cake$, de Geremy Jasper.
Desde a abertura com Claire Denis, até a participação de autores consagrados como Philippe Garrel, pai de Louis, Abel Ferrara, Amos Gitai, Bruno Dumont e Sharunas Bartas, a seleção da Quinzena em 2017 promete, embora ainda seja cedo para avaliar se será melhor que a oficial.