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Só coisa boa

Luiz Carlos Merten

16 Julho 2017 | 09h50

Não tenho dado conta dos filmes que vi ultimamente. Gostei demais de Sr. e Sra. Adelman, que vi na sexta pela manhã, numa sessão exclusiva, como pré-requisito para entrevistar o casal Nicolas Bedos/Doria Tillier. Ele dirige, os dois escrevem e interpretam, mas dada a natureza do filme, quando virem, não duvidaria se ela também tivesse dirigido. E Doria, viagem minha, lembrou-me muito, em certos momentos, Françoise Dorléac, a irmã de Catherine Deneuve que morreu exatamente há 50 anos, num acidente de carro, no final de junho de 1967. Como não sabia quem eram Bedos e Doria, fui procurar. São conhecidos na França como humoristas, por suas improvisações e, embora não falte humor ao filme – humor judeu -, essas cenas de um casamento (o marido acaba de morrer, é um escritor célebre e o relato se constrói em flash-back, contando a verdadeira história) estão mais para tragédia. O que é o amor, amamos o que destruímos, amamos o que nos destrói? O grande problema do filme -para escrever sobre – é a reviravolta final. Gostaria que o leitor tivesse a mesma surpresa que eu tive. Vejam, e depois, quando já estiver em cartaz a gente conversa. Gostei demais de Pobres Diabos, o novo filme de Rosemberg Cariry, lindamente fotografado por seu filho, Petrus. Sílvia Buarque, linda de morrer, como nunca a tinha visto, Chico Diaz, Gero Camilo, Everaldo Pontes e Zezita Matos. Ou será que deveria começar pelos últimos? Everaldo Pontes e Zezita Matos? O filme passa-se num circo mambembe, acampado à margem de uma cidadezinha perdida no mundo. Mas não é sobre o circo decadente – é sobre os pobres diabos. Os comediantes, no sentido bergmaniano. A miséria e a grandeza humana. E o Futuro Perfeito, de Nele Wohlatz. O longa mais curta do ano – apenas 65 min. Uma garota chinesa migrada para a Argentina aprende a falar espanhol. Achei encantador, mas de uma sofisticação que não sei se consegui dar conta da complexidade da proposta da diretora. A garota descobre as palavras, na tentativa de se integrar ao novo meio – é despedida da déli, seu primeiro emprego, por não dominar a língua. A questão é – o que significa integrar-se? O filme desenha vários futuros. E nenhum, ao contrário do título, é perfeito.