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Simpatia pelo Diabo

Luiz Carlos Merten

04 Dezembro 2006 | 15h40

Agradeço ao Carlos Quintão, que me poupou a pesquisa sobre Neveldine/Taylor, a dupla que assina Adrenalina. Confesso minha ignorância – não sabia quem eram, mas gostei muito do filme deles com o Jason Statham. Cada vez que penso acho mais interessante. Aquele final é a própria subversão do conceito de herói de ação e o fato de o cara ter de se manter em movimento, levando sua adrenalina ao limite, possibilita situações como em nunca vi, como aquela de ele andar pela rua com uma ereção monumental. Sinceramente, espero que o post, pequeno como foi, motive as pessoas a verem Adrenalina, que foi uma boa surpresa para mim. Agradeço também a Luci, pelo comentário sobre Simpatia/Compreensão for the Devil, embora, neste caso, o texto fosse do jornal. Sei bem o que é Sympathy em inglês, mas é o mesmo caso de prejudice – sai prejuízio, em vez de preconceito, cada vez que vejo a palavra, mas nem me preocupo mais. O preconceito em geral produz algum tipo de prejuízo e quanto a compreensão, ninguém pode desenvolvê-la, em relação a pessoas, objetos ou situações, com antipatia. Para mim, compreensão envolve sempre alguma forma de simpatia. O problema é que Compreensão tem 11 letras e o espaço do título no Telejornal mal abrigava Simpatia (que tem 8, sendo dois is, que contam meia-letra, cada). Isto posto, o agradecimento a Luci vai pela sinopse da música. Não sou roqueiro de carteirinha. Aprendi a curtir os Beatles pelos filmes do Richard Lester e minha referência sobre os Rolling Stones é Gimme Shelter, o documentário dos irmãos David e Albert Maysles, sobre o concerto de Altamont, que deve ter sido o próprio apocalipse do rock, terminando em caos e morte. Cheguei a perguntar a minha colega Regina Cavalcanti -ela, sim, roqueira convicta – se poderia definir os Stones como a maior banda de rock do planeta, o que Regina me disse que não, observando que é ‘uma’ das maiores – porque, afinal, tivemos os mancebos de Liverpool. Para quem estiver interessado na minha biografia (pretensioso, não?) quero dizer que, na época, eu estava fazendo meus diários sem motocicleta, viajando pela América Latina (Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Bolívia), curtindo Mercedes Soza, Quilapayun, os Chalchaleros, Ariel Ramirez, Victor Jara, Violeta Parra e um monte de gente que construiu a trilha sonora da minha vida de jovem latino. Eles e mais a Jovem Guarda, o hino E Que Tudo Mais Vá para o Inferno, que Roberto Carlos renegou depois que virou religioso – mas cá com meus botões sempre pensei que, se era para expurgar, ele devia ter feito todas as contas, com juros e correção monetária, retirando da sua conta bancária tudo o que ganhou com a música, mas isso eu duvido que tenha feito.