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Luiz Carlos Merten

28 Agosto 2007 | 14h26

Fui ver Disturbia agora de manhã. O filme estréia na sexta. Chama-se, no Brasil, Paranóia e traz o novo protegido de Steven Spielberg, o ator Shia LeBoef, visto há pouco em Transformers e que está, ouço dizer, no quarto Indiana Jones. O filme é Janela Indiscreta teen. Garoto que fica preso em casa não tem outra coisa a fazer senão ficar bisbilhotando a vida dos outros com um binóculo. Ele desconfia de que o vizinho (David Morse) seja um assassino em série, e o cara é. Spielberg chamou D.J. Caruso – que eu até pensei que fosse o ator David Caruso – para a direção. O filme é tenso do começo ao fim. Me deu mal-estar, fiquei incomodado e o Alex Xavier, do Jornal da tarde, que dividiu o carro comigo, na volta para o Estadão, me revelou que também viajou no jogo de emoções do filme. Achei a garota Sarah Roemer, de O Grito 2, que faz a namoradinha do herói, muito parecida com Cate Blanchett. Seria, ou é, uma jovem Cate. Não acho que seja outra coisa senão um filme para consumo rápido. No Grande Chefe, por exemplo, Lars Von Trier diz que quis fazer um filme sem segundo nível de leitura, mas é mentira e a verdade é que ele terminou me irritando. Me incomoda um pouco nesses filmes, tipo Disturbia, que o garoto, no limite, tenha de matar. Isso estimula a paranóia, que, como diz cinicamente o ‘vizinho’ David Morse, é o mal que está consumindo os EUA. Mas o filme não importa muito. Quero falar de Shia LeBoef. Este garoto é especial. Difere dos outros heróis teens da tela. Parece singularmente maduro. Possui uma qualidade rara em atores jovens, a virilidade. Michael Bay já havia explorado isso nas cenas de namoro em Transformers e D.J. Caruso agora confirma na melhor cena de Disturbia. Não é nenhuma das cenas de ação e suspense. É a cena da festa, em que Sarah pressiona Shia para fazê-lo confessar que a estava espiando, e ele começa a descrever as ações, os gestos dela na intimidade como quem cria um poema de amor. A cena termina com ela dizendo que… Não vou estragar. Vejam para descobrir, mas esse cabra é bom. Escrevi e retifico. Juro que não é piada. LeBoeuf, afinal, é ‘o boi’ e não tem nada com cabra.