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Luiz Carlos Merten

12 Novembro 2011 | 22h08

Não sei como meus colegas trataram ‘Gigantes de Aço’, mas eu confesso que só não havia assistido ao filme de Shawn Levy por absoluta falta de tempo e também porque não encontrava salas que exibissem o filme na versão com legendas. Hoje, encarei meu preconceito e terminei assistindo, por uma questão de conveniência de horário, à versão dublada. Para início de conversa, não sabia que era de Shawn Levy. Shawn quem? É o diretor de ‘Uma Noite no Museu’ 1 e 2 e ‘Uma Noite Fora de Série’. Sacaram? Quando o entrevistei por telefone, Shawn reconheceu a importância da noite em seu cinema. A noite como espaço da mudança. Falei para ele sobre Michelangelo Antonioni (‘A Noite’) e F.W. Murnau (‘Aurora’) e os nomes não lhe eram estranhos. Ao descobrir que o filme era dele, pensei com meus botões. Onde e como vai entrar a noite nesta história? Pois entra. ‘Gigantes de Aço’ é sobre um pai que restabelece a comunicação com o filho que abandonou. A trama é futurista e o personagem de Hugh Jackman trabalha com robôs lutadores. A cena – a luta – decisiva é noturna. Um robnô de sucata, pertencente ao filho do herói, enfrenta o supercampeão Zeus. Hugh Jackman pede à tia, a quem concedeu a guasrda do filho, uma noite, uma noite, apenas. Vai ser a noite da sua transformação. No começo, fiquei desconfiado. Como o filme é falado em português, são feitas várias referências ao Brasil,  que não sei se pertencem ao original ou são ‘adaptações’. O filme é uma comédia, um drama familiar, uma fantasia científica, um romance. Lá pelas tantas, parece que vai baixar o espírito de ‘Rocky’. O robô pobrinho, de olhos azuis, vai vencer o gigante de olhos verdes que tem por trás toda a tecnologia do mundo? Shawn Levy não é burro e sabe que o mundo mudou muito desde ‘Rocky, Um Lutador’, em 1976. Há um vencedor de fato, mas sua vitória é moral, porque vence o espírito corporativo do grande capital. Ou seja, misturando gêneros para contar sua história de transformação humana (e social), o diretor consegue dar um testemunho crítico sobre o mundo atual. Adorei, mas, claro, gostei do ‘meu’ filme. Quem viu e não elaborou nada, foi preguiçoso. Não fez a lição de casa.