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Luiz Carlos Merten

25 Maio 2008 | 09h54

CANNES – Leio em `Metro` que o júri presidido por Sean Penn pediu para rever somente um filme, e foi o filipino `Serbis`, de Brillante Mendoza, que muita gente – incluindo brasileiros – não agüentou ver inteiro, desistindo logo no primeiro intercurso, que mostra, com direito a sexo explícito, penetração e tudo, uma relação hetero. Faço a ressalva porque o filme que se passa num cinema pornô de Manila tem cenas de homossexualismo explícito, mas, como falei na minha crítica do provocatino trabalho de Brillante, a verdade é que ‘Serbis’ (Serviço) alcança uma melancolia e uma tristeza que vão muito além das cenas que o transformatram no sucesso de escândalo deste festival (e Cannes todo ano tem um). Não estou agora querendo dizer que ‘Serbis’ seja um grande filme e, menos ainda, o melhor filme de Cannes 2008, mas certamente não é o horror pintado por quem não suportou sua provocação. E a cena em que a cabra invade o cinema é maravilhosa, pelo tumulto que provoca lá dentro. Acendem-se as luzes, interrompe-s o atendimdento sexual e todo mundo corre atrás da cabra. ‘Serbis’ tem algo do que Matheus Nachtergaele quis fazer em ‘A Festa da Menina Morta’, que foi demolido por ‘Variety’ – o que me leva a querer revê-lo urgentemente. Se ‘Variety’, com seu ponto de vista da ‘indústria’ de Hollywood, não gostou nem um pouco, ‘Menina Morta’ deve ter qualidades superiores àquelas que consegui detectar. Mas retenho o que escreveu Jennifer Lesieur em ‘Metro’. Segundo ela, ‘o mortalmente tedioso’ filme de Matheus foi também um dos mais bem filmados da seção Un Certain Regard, lançando os sentidos do espectador nas cores e odores da Amazônia. Se isso não é um elogio, não sei o que é.

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