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Luiz Carlos Merten

19 Maio 2008 | 13h00

CANNES – Antes do tributo a Manoel de Oliveira fui ver o filme filipino da competição – ‘Serbis’, de Brillante Mendoza. Todo ano, Cannes programa um filme para ser o seu ‘sucesso de escândalo’ e o de Mendoza é o deste ano. Já tinham me falado da safadeza e do sexo explícito. Lá fui eu. Como não fui à coletiva nem me programei para falar com o diretor, não sei se ele pegou este velho cinema em ruínas porque já se chamava ‘Family’ (Família) ou se lhe deu este nome para reiterar sua metáfora. ‘Serbis’ conta a história de uma família que não apenas possui um cinema pornô em Manilha como mora nele. O título, traduzido, quer dizer ‘serviço’ e o lugar é freqüentado por prostitutas, travestis e michês que oferecem seus serviços. O sexo rola solto. A cena mais forte é de sexo hetero – um intercurso -, mas tudo o que você memorizar do Kama Sutra está lá. A cena culminante é quando uma cabra invade a sala, acendem-se as luzes e Sodoma e Gomorra são nua e cruamente reveladas. Não digo que o filme seja bom, porque não é, e também não quero discutir ‘Serbis’ como representação da miséria humana – aquilo que o grande poeta Rainer Maria Rilke definia como ‘a sexualidade difícil que nos foi imposta’ -, mas há nele uma grande melancolia por personagens que, apesar de sua aparente alegria, são todos tristes.