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Luiz Carlos Merten

13 Dezembro 2009 | 13h34

Ao falar ontem sobre o show de Bethânia, que assistira na véspera, concentrei-me nas chamadas músicas ‘bregas’, aquelas que meus colegas críticos musicais detestam, só para dizer que não concordo com eles. Mas ficaria mal comigo mesmo se não dissesse que o grande momento do show é quando Bethânia canta ‘Serra da Boa Esperança’. Isso me remete ao cinema. Estamos fechando uma década, a primeira do século 21. É a época em que todo mundo faz seus balanços. Vou fazer um, rapidinho. Ninguém está me pedindo, mas se eu fosse dizer qual o melhor filme brasileiro da década, ou o que mais me marcou, provavelmente ficaria dividido. Tenho aquele carinho imenso por ‘Bicho de Sete Cabeças’ e gosto do filme de Laís Bodanzki por aquilo que outros, provavelmente, consideram seus defeitos. Mas, tirando esse carinho, e o filme me acompanha – com aquela trilha, ‘o seu olhar/melhora o meu’ -, acho que o melhor filme (brasileiro) desta década prodigiosa foi, ou é, ‘Cinema, Aspirinas e Urubus’, de Marcelo Gomes, que reinventa o Cinema Novo e ainda tem ‘Serra da Boa Esperança’ de fundo. Serra da boa esperança/meu último bem/parto levando saudade/saudade deixando… E o final – ‘Eis a hora do adeus, vou embora/deixo a luz do olhar no teu luar, adeus’. A música é de Lamartine Babo e no filme é interpretada por Francisco Alves, mas eu também gosto muito da recriação de Altemar Dutra. Olhava a mana de Caetano no palco, naquela noite, e me abstraía daquele cenário – que não gostei. O que via era o filme de Marcelo Gomes cantado por Bethânia. Coisa mais linda, tchê!

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