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Sensibilidade ‘feminina’

Luiz Carlos Merten

17 Dezembro 2009 | 19h49

Cheguei cedo hoje no jornal para fazer minhas matérias para a edição de amanhã do ‘Caderno 2’, incluindo a entrevista com Catherine Corsini, de ‘Partir’, do qual gostei bastante. Pretendo voltar ao assunto aqui no blog, porque Catherine e eu conversamos sobre a tal sensibilidade feminina – existe isso, um cinema caracteriosaticamente feminino, que o espectador pode identificar como sendo feito por mulheres? A maioria das diretoras com quem converso diz que não e Catherine não foi diferente, mas o assunto me interessa porque participei esta semana de uma banca de TCC na Metodista de São Caetano e o tema de Eloisa Elena Takahashi, Lilian Milena Souza Penha, Naíma Popp dos Santos e Thaína Parma era justamente um documentário sobre diretoras brasileiras – ‘Elas em Cartaz’ -, que também discutem o assunto. Pegando carona, posso voltar a falar, por exemplo, sobre Kathryn Bigelow, cujo último filme, ‘The Hurt Locker’, indicado para o Globo de Ouro, saiu diretamente em DVD no Brasil, um crime da distribuidora Imagem, que não botou fé no produto que tinha nas mãos (e ‘Guerra ao Terror’, título brasileiro, foi muito bem de crítica na Europa. Na pior das hipóteses, poderia dar prestígio à empresa.) Não me canso de dizer que Kathryn é uma das mais belas e femininas diretoras do cinema, ao mesmo tempo que possui uma direção de cena tão forte que seus filmes de ‘ação’ parececem feitos por machos. O paradoxo me atrai e, pelo que ouço dizer, está presente em ‘Guerra ao Terror’, que pretendo ver no fim de semana. Kathryn ganhou páginas e páginas, com direito a entrevista, em ‘Cahiers du Cinéma’, por conta de ‘The Hurt Locker’. Quero aproveitar para assinalar uma coisa. James Cameron está sendo acusado de ter feito de ‘Avatar’ uma salada de diversos outros filmes. Não me lembro de ter visto alguém citar o que me parece o mais óbvio de todos – ‘Estranhos Prazeres’, de 1995, fantasia sobre os efeitos alucinatórios de uma droga pela qual as pessoas se matam na passagem do milênio. Kathryn foi casada com Cameron e ele homenageia, ou cita, sua ex na cena em que Jack Scully se transforma pela primeira vez no seu avatar e enlouquece com a sensação de estar recuperando o movimento das pernas atrofiadas pela paralisia. Há uma situação muito parecida em ‘Estranhos Prazeres’, mas a droga, aqui, é transformada na transferência de corpos e mentes que a ‘cientista’ Sigourney Weaver realiza em seu laboratório. Adorei!

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