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Luiz Carlos Merten

03 Abril 2008 | 20h23

Ia voltar ao Wilder, antes mesmo de ler os comentários de vocês, porque li mais alguns trechos do livro de Cameron Crowe que quero relatar. Ocorre que meus dois últimos dias foram de lascar, com uma quantidade incrível de entrevistas – ao vivo, por telefone e até e-mail (eu uso, sim!!!!)- que vocês poderão ler amanhã e no sábado no ‘Caderno 2’. Reuni Lúcia Murat, diretora de ‘Maré’, e Jorge Takla, diretor de ‘West Side Story’, para um papo sobre ‘Romeu e Julieta’, canto, dança, teatro e cinema. Os dois foram muito legais e eu espero que vocês gostem da matéria de amanhã no ‘Estado’. Também entrevistei Marianne Faithfull, a quem adorei em ‘Irina Palm’ – e o filme de Sam garbarski também entra amanhã,. embora a entrevista da ex de Mick Jagger só saia no sábado. Foi com ela que falei por e-mail. Com o diretor Garbarski, conversei pelo telefone. Também entrevistei João Miguel e Marcos Jorge, ator e diretor do ótimo ‘Estômago’ – tudo isso nos dois ou três últimos dias e hoje, como conseqüência, tinha um montão de textos para redigir. Faltou tempo para o blog e agora eu ia atacar de Billy Wilder, mais um pouco das ‘conversaciones’, mas estava jantando no restaurante do ‘Estado’ – como faço toda quinta-feira, nos demais dias é fora – e o Antônio Gonçalves Filho me comentou, en passant, que eu troquei ‘Nunca aos Domingos’ por ‘Sempre aos Domingos’, acredito que no meu post sobre a morte de Jules Dassin. Sério? Ia procurar, mas fiquei com preguiça. Não, não foi preguiça. Se eu procurasse, e confirmasse – Toninho não ia me mentir -, ia ser difícil resistir à tentação de corrigir, o que para mim é fácil, mas acho que seria desonesto. Muito bem – o filme de Jules Dassin com Melina Mercouri chama-se ‘Nunca aos Domingos’ e deu origem ao musical ‘Ilya, Darling’, na Broadway. ‘Sempre aos Domingos’ é um filme francês de Serge Bourguiignon, que ganhou o Oscar de melhor produção estrangeira, acho que em 1962 ou 63. ‘Les Dimanches de Ville d’Avray’, título original, conta a história da ligação entre um amnésico e uma garotinha, narrada naquele estilo ‘realismo poético à francesa’. Não gostei do filme, na época, pois me pareceu que o diretor investia demais no preciosismo fotográfico. Além do mais, nada me tira da cabeça que o Bourguignon não foi influenciado pelo J. Lee Thompson de ‘Marcados pelo Destino’ (Tiger Bay), que é muito melhor. O pobre Bourguignon foi cooptado por Hollywood e dirigiu, na seqüência, um western, meio ‘O Tesouro de Sierra Madre’, que se chamava ‘The Reward’ no original e, no Brasil, ficou sendo ‘Viagem para a Morte’. Bourguignon acabou com o fracasso de seu western, mas tem um Oscar no currículo. E ‘Sempre aos Domingos’ é dele, não do Dassin.

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