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Luiz Carlos Merten

24 Junho 2008 | 19h37

ESTOCOLMO – Olá! Pela procedência, vocês já sabem onde estou. Tive problemas, ontem, ao sair do Brasil. Consegui perder meus cartões bancários no aeroporto de Guarulhos e aí, naquela correria pré-embarque, mal tive tempo de cancelá-los, que dirá de postar alguma coisa sobre a viagem. Mas, enfim, cheguei hoje à tarde na capital da Suécia – já é meia-noite e só agora acaba de escurecer. Amanhã permaneço aqui com um grupo reduzido de jornalistas. Somos oito, de todo o mundo, dois do Brasil (o outro é Diógenes Muniz, da Folha). Viemos a convite do Instituto Sueco para a Semana Bergman, na ilha de Farö. Neste primeiro dia, teremos encontros com a comunidade de cinema sueca e na quinta pela manhã voamos para a ilha em que Bergmanm viveu, morreu e que transformnou em cenário de alguns de seus maiores filmes. Acho que vai ser uma experiência bacana. A semana tem uma madrinha, Margarethe Von Trotta, cujo filme ‘The German Sisters’ – não me lembro se se chamava assim mesmo, ‘As Irmãs Alemãs’, no Brasil – o próprio Bergman considerava um dos melhores de todos ois tempos. Na sexta, haverá um encontro com ela – uma conversação (a conversation) sobre o grande diretor. Já a entrevistei em Berlim, quando Von Trotta lançou no festival seu filme sobre um casal separado pelo Muro de Berlim e que se reencontra muito depois – chama-se ‘A Promessa’ (se não me engano). Em farö, especialistas vão falar sobre Bergman e a criança e a paixão dele por ‘A Carroça Fantasma’, clássico silencioso de Victor Sjostrom, diretor que interpretou o velho professor Isaak Borg na obra-prima bergmaniana ‘Morangos Silvestres’. Já disse mil vezes, mas repito que é meu Bergman do coração. Vamos conhecer os locais que ele habitava e aqueles em que filmou seu documentário sobre Farö. No domingo, haverá uma projeção de ‘A Carroça Fantasma’ com música ao vivo. Esta semana Bergman começou já há alguns anos e o próprio Bergman, a princípio cético, aderiu com entusiasmo ao que chamava de ‘meu espetáculo’. No ano passado, já debilitado, ele não pôde prestigiar a semana, que coincide mais ou menos com a data de seu nascimento, mas pelo que entendi Bergman manifestou o desejo de que continuasse. Aqui estou e, na medida do possível, vou postando alguma coisa para repassar minhas experiências a vocês. As primeiras referem-se ao próprio país. Quando o avião se aproximava do aeroporto de Estocolmo, minha impressão era de que ia aterrissar na Amazônia. Muitos rios e lagos, muita água, e verde, muito verde, o que do alto parecem florestas. E é frio, aqui. Embora seja verão, a temperatura é baixa. Saí com uma jaqueta, para jantar, e lamentei não ter colocado uma malha. Mas é tudo muito interessante. Eu na terra de Bergman! É impressionante como o cinema tem me levado a lugares com os quais, em Porto Alegre, jamais sonhara. E não só os lugares – as pessoas que conheço, as informações que acumulo (e gosto de compartilhar). Que coisa!