Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Sem pé nem cabeça

Cultura

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cultura

Sem pé nem cabeça

Luiz Carlos Merten

20 Junho 2007 | 09h30

Comentando o comentário do Wellington sobre o que escrevi a propósito de Quarteto Fantástico 2 – The Wicker Man, com Nicolas Cage, é horrível sim, mas me parece preconceito colocar no mesmo saco que A Dama na Água. Wellington diz que o filme vai do nada para lugar nenhum e fecha seu comentário dizendo que prefere ver filme com idéia e cabeça. Eu também, Wellington, e por isso gostei do Quarteto 2, que é bem melhor que o 1, mas não vamos brigar por filme descartável. Voltando ao filme do Shyamalan – cara, tu ias ficar indignado lendo o que a crítica francesa diz da Dama. Desde que estourou nos EUA, com O Sexto Sentido, Shyamalan virou queridinho dos críticos franceses, que sustentam a carreira dele, independentemente dos fracassos de público que têm comprometido o diretor nos EUA. Cahiers du Cinéma derramou-se em elogios para A Vila, gastando páginas para dissecar o que, para o Wellington, não tem pé nem cabeça. O caso de A Dama na Água é ainda mais radical. Cahiers e Positif acham o filme coisa de gênio como fabulação sobre a linguagem. Não sou muito de ler essas revistas, que, além do mais, chegam muito atrasadas aqui, quando chegam, mas o caso de Shyamalan é paradigma para mim. Eu acho o cara interessante, no melhor sentido que se pode atribuir à palavra, mas percebo como sou preconceituoso, como todo mundo. Eles vão tão mais longe que eu. Buscam (e encontram) coisas como se o Shyamalan fosse o maior diretor do mundo e a gente, aqui, despacha com meia-dúzia de piadinhas. Enfim – para o Wellington, o filme é nada. Para outro, pode ser tudo. Depende do que acrescentamos, ou não, ao que os diretores nos propõem. Agora, concordo – não consigo nem discernir o que Wicker Man estava tentando nos propor para tentar ir adiante. É o tipo do filme que me trava. Não vi nada ali para tentar ir adiante. E, gente, eu não tenho muita paciência com Nicolas Cage. São raríssimos oas filmes e papéis dele de que gosto. Até hoje acho o Oscar que o Cage ganhou por Despedida em Las Vegas um escândalo. Elisabeth Shue me parece muito melhor que ele, mas quem ganhou o prêmio da Academia foi o Cage. Se tivesse ganhado, o desenvolvimento da carreira dela poderia ser outro. Talento e beleza não lhe faltam. Não entendo. Todas essas gostosas ganharam o Oscar por filmes e papéis de que não gosto – Halle Berry, Charlyze Theron. Elisabeth Shue é tão melhor. Por que não? Alguém entende a lógica? Ou – melhor – tem lógica?