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Cultura » Selznick/Shields na cidade das redes

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Luiz Carlos Merten

17 Março 2009 | 15h28

Felipe lembra que andei escrevendo um post sobre ‘The Bad and the beautoful’, clássico de Vincente Minnelli sobre a Hollywood dos anos de ouro, e pega carona para fazer um comentário que, na verdade, encerra uma pergunta. ‘The bad and the Beautiful’ chamou-se ‘A Cidade dos Desiludidos’ nos cinemas brasileiros. Só como curiosidade, sua sequência, ‘A Cidade dos Desiludidos’, que Minnelli realizou dez anos mais tarde, passa amanhã às 17h35 no canal Turner. Felipe quer ser saber se Jonathan Fields, o produtor interpretado por Kirk Douglas, é baseado no lendário David Selznick, de ‘…E o Vento Levou’? O produtor do filme de Minnelli, John Houseman, mais tarde ator – vencedor do Oscar de coadjuvante por ‘O Homem Que Eu Escolhi’, em 1973 -, revela em suas memórias que Sezlnick chegou a contratar um advogado para avaliar a semelhança entre Shields e ele e, se fosse o caso, para mover processo contra a produção. Minnelli e seu roteirista (Charles Schnee) transformam Shields num prtodutor de filmes de terror que é fácil de confundior com o renovador do gênero nos anos 40, Val Lewton, padrinho de Jacques Tourneur, Robert Wise e Marl Robson, mas a semelhança é mesmo com o obsessivo e svengaliano, além de inescrupuloso, Selznick. Acho que foi Sérgio Augusto, ou terá sido Adilson Laranjeira – estou com preguiça de ir aos arquivos do ‘Estado’ para pesquisar; na verdade, estou redigindo rapidamente, porque tenho de sair -, numa das reprises de ‘Assim Estava Escrito’ quem lembrou que a primeira cena de Shields, quando ele enterra o pai, é uma reminiscência (sombria) da história de Selznick, que também enterrou o pai, sem quórum para chorar o falecido, após a bancarrota que o despachou para o inferno, durante a depressão econômica dos anos 30. Também veio de Selznick o hábito de Shields de tirar os sapatos durante as reuniões de equipes, mas a semelhança maior é de caráter, ou falta de, e também se refere ao fato de que o pai de ‘…E o Vento Levou’ também manipulava a tudo e todos, e fazia valer sua vontade aos diretores com quem trabalhava. Vale lembrar que vários diretores se revezaram em ‘Gone with the Wind’ e outros tantos em ‘Duelo ao Sol’, que Selnick formatou para sua mulher (e estrela), Jennifer Jones. Ninguém aguentava o cara, mas sempre que se evoca a Hollywood dourada seu nome ressurge como avatar dos aventureiros, sonhadores e canalhas que construíram a lenda da ‘Meca do cinema’. Existem todos aqueles filmes que vocês sabem sobre os bastidores de Hollywood – além dos de Minnelli, ‘O Crepúsculo dos Deuses’, de Billy Wilder, A Condessa Descalça’, de Joseph L. Mankiewicz, ‘À Procura do Destino’, de Robert Mulligan etc -, mas vale lembrar um livro e a leitura obrigatória é ‘A Cidade das Redes’, de Otto Friedrich, que eu não sei se ainda está em catálogo, mas pode ser adquirido em sebos por aí. Pode ser que exista, mas não conheço, ou lembro de melhor análise da Hollywood dos anos 40 para servir de complemento, ou de guia, para os grandes filmes sobre o assunto.

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