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Luiz Carlos Merten

06 Outubro 2009 | 12h18

RIO – Estou hoje meio para baixo, por motivos pessoais que prefiro não expor, pelo menos por ora. Mas isso também talvez tenha a ver com a decepção geral que experimentei em relação a uma Première Brasil que me parecia particularmente atraente. Os bons filmes foram rigoropsamente a exceção – ‘Viajo Porque Preciso…’, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes; ‘Natimorto’, de Paulo Machline; e ‘O Sol do Meio Dia’, de Eliane Caffé, entre os premiáveis; e ‘Antes Que o Mundo Acabe’, de Ana Luiza Azevedo, fora de concurso. Achei bem bacana o filme de Lili Caffé, embora ele seja um tanto desconchavado, no sentido da falta de harmonia, da imperfeição mesmo. A própria diretora, no palco do Odeon, disse que o filme sobrevivera, apesar de tudo – tantos foram os percalços durante sua realização. Para o espectador, isso não importa, claro, e a história do triângulo formado por Chico Diaz, Luis Carlos Vasconcelos e a maravilhosa Cláudia Assunção sugere uma mistura da ‘Iracema’ de Jorge Bodanzki com ‘Cidade Baixa’, de Sérgio Machado (seria ‘Selva Baixa’). Amei o trabalho da diretora com os atores e segui muito interessado os dilaceramentos daquele trio de… Como defini-los? Marginais, desajustados? Já ontem me decepcionei com a estreia de Marco Ricca na direção. Vou fazer à tarde a mediação no debate de ‘Cabeça a Prêmio’ e o filme me pareceu muito ‘Os Matadores 2’, só que mais anticlimático, o que até poderia ser interessante, mas não é. Dois assassinos de aluguel, a fronteira paraguaia, sexo, violência, traição – tudo leva ao primeiro longa de Beto Brant que eu, particularmente, considero a melhor coisa que ele fez até hoje. A Première Brasil ainda exibe algumas coisas espexcias ou fora de concurso. Agora, é esperar pelo júri, na quinta-feira à noite. Por mim, ‘Natimorto’ já teria levado o Redentor…

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