Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Selton Mello’s Mind

Cultura

Luiz Carlos Merten

20 Setembro 2006 | 16h01

Como Paulo César Pereio, que é de outra geração, Selton Mello já virou personagem de si mesmo. Está criando (já criou) uma persona inconfundível. É ator e, ao mesmo tempo, personagem. Nos filmes que interpreta, no programa do Canal Brasil (Tarja Preta), Selton projeta uma personalidade muito rica. Faz escolhas ousadas e não tem medo de se expor. O papel em O Cheiro do Ralo, do Heitor Dhalia, que vai para a Première Brasil de 2006, é exemplar. Espere para ver Selton na pele desse personagem desagradável, mas que, graças a ele, permanece humano. Selton vai estar amanhã na abertura do Festival do Rio com o curta Tarantino’s Mind, que será o complemento do longa Dália Negra, de Brian De Palma, na abertura do evento. Selton tem uma tese sobre Quentin Tarantino, um cara que, para o bem e para o mal, é fundamental do cinema americano nos anos 90. Ainda não sei qual é a tese, mas estou morrendo de curiosidade para saber o que Selton diz no curta que é só uma conversa sua com Seu Jorge. Lembram de Coffee and Cigarrettes, do Jim Jarmusch? Aqui é cerveja e batatinha frita. Vale lembrar que Tarantino, em Sleep with Me, já fez mais ou menos isso. O filme de Rory Kelly foi lançado no Brasil como Vem Dormir Comigo. Tem aquela cena do Tarantino numa festa reunindo um grupo para expor sua teoria sobre Ases Indomáveis (Top Gun), o filme que consolidou Tom Cruise como astro.O filme, diz Tarantino, é um manifesto gay. Aquela história do Cruise se envolver com a psicóloga Kelly McGillis é cascata. Na verdade, a história de amor é dele e Val Kilmer, no pas de deux aéreo que é, segundo Tarantino, metáfora do sexo homo da dupla.