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Luiz Carlos Merten

11 Julho 2008 | 16h03

‘Medos Privados em Lugares públicos’ completa domingo um ano em cartaz no HSBC Belas Artes. São 52 semanas de exibição ininterrupta do filme do Alain Resnais, grande nome do cinema de autor na França (e no mundo). Aliás, Resnais é único, porque em geral as pessoas – e até publi cações prestigiadas – defendem que, para o filme ser de autor, o diretor tem de ser também roteirista. Não vou discutir esta coisa de que o roteirista é o autor – como se fazia em Hollywood, no apogeu do star system, e o caso emblemático é o da discussão da autoria de ‘Cidadão Kane’, Orson Welles ou Herman Mankiewicz? -, nem o conceito do Kubrick de que cinema é montagem, portanto… Mas acho curioso que Resnais, autoral como é, nunca tenha escrito uma linha de seus filmes. Ele sempre trabalhou sobre roteiros alheios – Marguerite Duras, para ‘Hiroshima, Meu Amor’, Alain Robbe Grillet para ‘O Ano Passdado em Marienbad’, Jorge Semprun para ‘A Guerra Acabou’, David Mercer para ‘Providence’ etc – e também nunca se preocupou em disfarçar a origem do seu material. Resnais exortava Duras a fazer literatura e, no caso de ‘Medos Públicos’, trabalhando pela segunda vez sobre um texto de Alan Ayckbourn, de quem já havia adaptado ‘Smoke/No Smoke’, a origem teatral está na cara e o filme não deixa de ser por isso grande cinema. Pegando carona no ‘aniversário’ de Resnais em cartaz, quero lembrar que começa hoje no Centro Cultural São Paulo um ciclo que leva o título de ‘Seleção Francesa’. Já estou atrasado na postagem, porque começa daqui a minutos, às 4 da tarde, com ‘O Batedor de Carteiras’, Pickpocket, do Bresson, que será seguido às 18 horas por René Clair, ‘Por Ternura também Se Mata’, e às 20 por Sacha Guitry, ‘O Diabo Manco’. Amanhã, às 14, tem ‘A Nous la Liberté’, do Clair; domingo, às 16 horas, ‘Pinga Fogo’, de Julien Duvivier. Na terça, às 16, ‘O Corvo’, de Henri-Georges Clouzot, às 18, ‘De Mayerling a Sarajevo’, um Max Ophuls que nunca vi, e às 20, ‘Trágico Amanhecer’, da dupla Marcel Carné/Jacques Prévert (e este é um daqueles casos em que o roteirista é ‘co-autor’). Poderemos voltar ao assunto, que me agrada, vamos ver se agrada a vocês.

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