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Luiz Carlos Merten

17 Agosto 2008 | 12h58

PORTO ALEGRE – Já estou em Porto, onde fico até terça-feira, já que amanhã pretendo participar da coletiva e, na seqüência, assistir à conferência de Wim Wenders. Olhando os comentários dos últimos posts, vocês já vão encontrar, bem formal, o de Marcelo Janot, crítico do Rio que integrou o júri de longas nacionais de Gramado, com todos aqueles diretores que já citei (Ana Carolina, Lina Chamie e Roberto Gervitz). Janot responsabiliza a organização do festival por um equívoco, dizendo que o prêmio especial para Matheus Nachtergaele deveria ter sido entregue por penúltimo, para ressaltar a importância que o prêmio tinha para o próprio júri (pelo visto, ‘Menina Morta’ era o segundo na preferência deles). Só que, iniciando a entrega de troféus pelo prêmio especial, duvido que tenha parecido a qualquer pessoa – será que fui só eu? – outra coisa que não uma consolação. Já disse e repito que aquele universo retratado pelo Matheus me perturba, às vezes irrita e, por momentos, até desagrada. Mas a mise-en-scène da ‘Menina Morta’ é impressionante, a mais impressionante dessa seleção de Gramado – enfim, um filme de diretor, no qual a ênfase não está na história, mas num clima, numa atmosfera. Ivonete Pinto, da revista ‘Teorema’, de Porto’, pensou em Lucrecia Martel (‘O Pântano’) e não é uma coisa despropopsitada. Num certo sentido, pode-se comparar a direção de Matheus com o trabalho do diretor colombiano Carlos Moreno, que levou o prêmio da categoria, mas não o de melhor filme, pelo seu longa ‘Perro Come Perro’, que amei. São filmes muito distintos, mas se aproximam no sentido de que posso discordar do júri latino, que atribuiu excessivo peso ao longa argentino ‘Por Sus Proprios Ojos’, mas quando dividiram os prêmios eles acertaram mais do que o júri de nacionais. Melhor filme para ‘Cochochi’ premia uma produção de recorte mais humanista (tradicional), e eu gosto bastante do trabalho dos mexicanos Israel Cárdernas e Laura Guzmán, que muitos de vocês talvez já tenham visto no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo do ano passado. É um filme iraniano feito no México, austero e com uma mirada muito rigorosa. O retorno do garoto para casa, enquanto ele busca uma desculpa para o fato de haver perdido o cavalo, é uma coisa maravilhosa. Já o prêmio de direção para Moreno consagra um universo em convulsão e um filme muito mais forte e impactante. Esperem, para ver.