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Luiz Carlos Merten

22 Outubro 2007 | 10h23

Ia fazer um texto para a edição de hoje do Caderno 2 sobre ‘A Casa de Alice’, mas tenho falado tanto do filme de Chico Teixeira do qual gosto muito que resolvi, à última hora, substituí-lo por ‘Desejo e Reparação’, que ainda não tinha visto e me impactou. ‘A Casa de Alice’ passa hoje e você está intimado a vê-lo, nem que seja para conferir o trabalho de Carla Ribas, melhor atriz na Première Brasil do Festival do Rio. É maravilhosa. Dei uma olha na programação de hoje e tem ‘Lust, Caution’, do Ang Lee, que preciso rever. Gostei, mas já contei que vi o filme, no Rio, numa sessão à meia-noite, ainda deglutindo ‘Sombras de Goya’, que a crítica estrangeira tratou a pauladas, mas me impressionou muito. Ambos tratam da ambivalência dentro de cada um de nós. O filme de Ang Lee tem um assassinato ‘difícil’ que me lembrou o de Gromek em ‘Cortina Rasgada’ e cenas de sexo, no limite do explícito, entre Tony Leung e uma chinesa para lá de gostosa. O problema é que retive estas cenas de ‘Lust, Caution’ e fiquei pensando mais no conceito do filme de Milos Forman (que sempre acho melhor quando os outros não gostam, caso também de ‘Na Época do Ragtime’). Hoje tem David Lynch, ‘Inland Empire’, que aqui vai se chamar Império dos Sonhos. Há neste filme, em especial, a continuação de um discurso sobre os bastidores do cinema que acho que começou em ‘Estrada Perdida’. Lá, Lynch tratava mais da questão do som. Aqui, é mais a questão da própria imagem. Confesso que ando meio sem paciência com o o diretor. Acho impressionantes as cenas de Laura Dern caída na Calçada da Fama, em Hollywood – até porque já andei por lá e sempre me impressionou uns vislumbres de marginaliodade que a gente tem num espaço tão associado ao glamour. Mas o Lynch se repete demais, falo do método. Era como o Altman, quando soltava a câmera entre diversos personagens. As pessoas se extasiavam. Eu me aborrecia. Muda o ambiente, mas a fórmula não muda. Com o Lynch é a mesma coisa. Ele sonha acordado – mas seus sonhos são construções muito rigorosas, como ele sempre diz -, propondo enigmas e charadas para o espectador decifrar (ou não). Confesso que o que tem mudado no Lynch é para pior – os filmes andam cada vez mais longos! Ele sonha comprido, para mim vira pesadelo. O post ficou longo. Continuo as dicas no próximo.

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