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Luiz Carlos Merten

18 Fevereiro 2012 | 07h11

BERLIM – Estou tres horas aa frente de voces, aqui jah saoh 10, e eu tenho de sair para tentar ver alguma coisa, fazendo hora ateh as 7 da noite, quando comeca a premiacaoh. Mas, como digitei o nome de Christopher Hampton, nao resiste a acrescentar um post que me persegue hah dias. Vou faze-lo breve. Vi outro dia uma revista inglesa de cinema, Movie alguma coisa. Folheei e havia essa entrevista de Hampton sobre A Dangerous Method. Ele fala da colaboracaoh com David Cronenberg, e termina por compara-lo a Stephen Frears, com quem trabalhou tres vezes, naoh em termos de qualidade, mas de metodo. Frears gosta de ter Hampton a seu lado no set e improvisa, o que faz com que o roteiro seja reescrito no dia a dia. Cronenberg planeja tanto – passa o filme pela camwera, como diria Alfred Hitchcock -, que naoh deixa margem para o improviso nem o imprevisto. Interessante, mas o que gostei foi isso. O roteiro de A Dangerous Method foi escrito hah dez anos. Hampton sempre foi atraido pela psicanalise e resolveu pesquisar suas origens. Descobriu o livro de Bruno Bettleheim sobre Sabina Spielrein e escreveu o roteiro, chamado justamente de Sabina, para Julia Roberts. Foi depois de Mary Reilly, que Hampton tambem escreveu, mas Julia havia estourado de novo, com naoh sei qual comedia, e foi persuadida pelo estudio a se esquecer da personagem. Hampton resolveu escrever entaoh uma peca, mas o estudio – vamos dar nome aos bois, a Fox – argumentou que ele havia sido pago, o material era sua propriedade e naoh seria liberado. Julia entrou em cena e exigiu da Fox que liberasse Hampton para escrever a peca que atraiu Cronenberg. Gostei da historia. E da atitude de Julia.