Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Saul Bass

Cultura

Luiz Carlos Merten

08 Janeiro 2008 | 08h34

Não tive tempo de postar ontem nenhum comentário sobre a dica do meu amigo Ricardo, sobre os créditos de Saul Bass. O cara foi um dos maiores artistas gráficos do cinema. Sua colaboração com Alfred Hitchcock em ‘Psicose’ é controversa, porque o mestre pediu a Bass que criasse o storyboard para duas cenas que conwsiderava decisivas – o assassinato na ducha e a subida da escada pelo detetive Arbogast -, não ficando satisfeito com nenhuma das duas. Mas os créditos que Saul Bass desenhou/criou para Hitchcock – ‘Intriga internacional’, ‘Psicose’ – são maravilhosos, embora menos do que os produzidos pela parceria dele com Otto Preminger. ‘Carmem Jones’, ‘O Homem do Braço de Ouro’, ‘Anatomia de Um Crime’… Aquela lágrima na abertura de ‘Bom-Dia, Tristeza’, o fogo em ‘Exodus’, é tudo coisa de gênio, mas para mim a obra-prima dos créditos cinematográficos – e de Saul Bass – é a abertura de ‘Bunny Lake Desapareceu’, o último grande filme de Preminger, sobre policial (Laurence Olivier) que investigava desaparecimento de criança que pode não existir. Saul Bass criou aqueles bonequinhos que vão sendo desenhados no papel e desaparecem, com os créditos sendo criados no vazio que eles deixam. Não conheço nada mais belo nem conceitual, em matéria de créditos, se bem que aquele fogo… Meu Deus! Os créditos já foram uma belíssima forma de arte. Além de Saul Bass, Maurice Binder, na série 007, fez um trabalho notável. Mas Bass era ‘the best’. Ele chegou a dirigir, acho que três filmes, mas vi somente um, ‘Fase IV – Destruição’, uma fantasia científica sobre uma colônia de formigas super-inteligentes que assume o controle da Terra. Não me lembro direito, o filme era meio incompreensível, mas também era assustador e, como experiência visual, era uma coisa extraordinária. Saul Bass virou uma figura de culto como o especialista em efeitos Ray Harryhausen. Ele fez coisas impressionantes para John Frankenheimer (‘Grand Prix’) e Ridley Scott (‘Alien, o Oitavo Passageiro), mas sua fase final – morreu há uns 10/12 anos – foi marcadas pela colaboração com Martin Scorsese. ‘Os Bons Companheiros’, ‘Cabo do Medo’, ‘A Idade da Inocência’. Sigam a dica do Ricardo, que serão gratificados.