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São Paulo!

Luiz Carlos Merten

06 Junho 2017 | 10h15

De volta. Em casa, São Paulo. Nesses dois dias que aqui fico, antes de ir na quinta para o Rio, para o Festival Varilux, não fico parado, não. Já me agendaram um monte de entrevistas por telefone. E quero ver filmes. Como meu editor – Ubiratan Brasil – já havia antecipado a Mulher Maravilha com o material de Los Angeles do Pedro Antunes, deixei para ver o filme aqui. Ontem, na edição internacional do The New York Times, havia uma entrevista com a diretora Patty Jenkins, que li no café da manhã, no hotel, ainda em Paris. Interessante, essa Patty. Havia dirigido, em 2004, um indie de prestígio, mas do qual não gosto – Monster, que valeu o Oscar para Charlize Theron. Mais de dez anos sem dirigir e Patty salta de um ‘filminho’, em todos os sentidos, para um super blockbuster. É a primeira vez que a Mulher Maravilha ganha um filme só dela, representa um salto e tanto para a diretora e outro imenso para Gal Gadot, cuja experiência de vida poderia dar, talvez, um filme à parte. Ex-Miss Israel, ela serviu no Exército e foi instrutora de combate. Aquela estrutura óssea – a mulher parece estar sempre de armadura, de tão grande – confesso que me intimida, mas Patty diz coisas ótimas sobre Gal. Admite que se assustou um pouco, porque acha que o casting é fundamental e, quando chegou, Gal já estava a bordo. Acontece que a atriz é tão ‘mágica e maravilhosa’, palavras da diretora, que ela se sente a mulher mais feliz do mundo. “Não teria escolhido melhor”, diz. Wonder Woman, portanto. Tenho de dar conta de que, no domingo à noite, vimos La Cordillera, de Santiago Mitre, com Richard Darín na pele do presidente (argentino) que se apresenta como ‘homem comum’, mas que, em outra encarnação, bem pode ter sido o cérebro que induziu Maquiavel a escrever seu clássico, O Príncipe. Na trama, el presidente vai participar de uma cumbre no Chile para discutir a questão energética no continente. Seus assessores e a imprensa temem que ele vire uma marionete nas mãos do experiente presidente do Brasil, um tal de Oliveira Prete que, de Temer, não tem nada. Aliás, do TNYT Internacional à imprensa francesa, a avaliação é uma só – Temer não governa mais; a prioridade (meta?) é salvar-se. (A propósito – o filósofo Michel Onfroy deu uma entrevista bomba na L’Express. Sua tese complotista – como o establishment político e econômico e a imprensa francesa fabricaram a vitória de Emmanuel Macron. Fiquei em dúvida, em vários momentos, se ele não estava falando do Brasil. Se houve complô, Macron, ao contrário de outros, ou outro, saiu-se melhor que a encomenda e já se oferece como alternativa planetária aos desmandos de Mr. Trump.) De volta à trama de La Cordillera, Darín revela-se um lobo (e faminto) em pele de cordeiro. O filme estava na seleção de Un Certain Regard. Imagino a presidente do júri da seção, Uma Thurman, tendo de engolir o Christian Slater como emissário de Washington, e agente da corrupção global. Ainda sob o impacto de Le Président, título francês, fomos ver, Dib Carneiro e eu, Sandra. Luchino Visconti, Vagas Estrelas da Ursa Maior. Claudia Cardinale como Electra, Jean Sorel como o irmão incestuoso e Marie Bell como Clitemnestra – ao piano, pois a mãe é uma grande solista. César Franck, a memória do Holocausto, perversões familiares. E Volterra, cidade em processo de morte natural. A implosão da natureza. Vou ter de voltar a Vagas Estrelas. O filme merece um post inteiro. Qual é o Visconti que não?