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Luiz Carlos Merten

22 Junho 2010 | 12h13

Numa produção tão extensa quanto a de John Ford, tenho de admitir que não conheço muitos de seus filmes. Por exemplo, os dois que ele fez com Dan Dailey e Corinne Calvet por volta de 1950. ‘When Willie Comes Marching Home’, O Azar de Um Valente, de 1949, goza de excelente reputação. Dan Dailey faz o primeiro de sua cidade a se alistar para a 2ª Guerra, mas, para sua tristeza, permanece estacionado nela, longe dos combates. Inesperadamente, Washington o convoca para uma missão secreta e ele é catapultado na França, para 24 horas de peripécias, das quais traz uma arma secreta dos alemães. A missão é top secret, Willie volta para casa e, para todos os efeitos, é como se nunca tivesse saído dali. Peter Bogdanovich é fã de carteirinha do filme, que considera a síntese ‘leve’ do ideário político de Ford, pela maneira como ele fala de organização social, espírito comunitário e patriotismo. Hoje, antes de ‘Audazes e Malditos’, o TCM mostra, às 10 da noite, ‘What Price Glory’, Sangue por Glória, de 1950. O filme é o remake da obra homônima de Raoul Walsh, de 1926. O ator ‘fordiano’ Victor McLaglen interpretava o original e aqui seu papel é interpretado por James Cagney, que vive às turras com Dan Dailey no Exército. Ambos participam de uma missão na França, na 1ª Guerra. Envolvem-se com a mesma garota, Corinne Calvet. Nunca vi ‘Sangue por Glória’ e sua reputação nem é tão boa, mas vou tentar ver o filme hoje à noite. Ford filmou em estúdio e sua representação da França é a mais convencional possível. É o que ouço dizer, mas, paradoxalmente, os franceses, que se deviam sentir ofendidos, têm um carinho especial por ‘Sangue por Glória’.