Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Sam Mendes!

Cultura

Luiz Carlos Merten

01 Outubro 2009 | 14h20

RIO – Nem tive tempo de postar mais nada ontem. Queria rever ‘Cidadão Boilesen’, de Chaim Litewski, documentário do qual gosto muito e foi ótimo. É impressionante como esse filme dialoga com a plateia. Já o vi no É Tudo Verdade, em São Paulo, e agora aqui no Festival do Rio, e a reação do público nunca é ‘normal’. As pessoas reagem sempre de forma apaixonada, manifestam-se no meio, uma loucura. Saí do Odeon e corri para Botafogo, para ver no Estação – era minha última chance -, outro filme que amei. Eles têm sido poucos, até agora, neste festival, mas ‘Distante Nós Vamos’, de Sam Mendes, me apanhou. Somaram-se dois fatores. Já contei aqui não sou muito fã de ‘Beleza Americana’ e até acho quie o filme ‘roubou’ o Oscar que eu atribuiria a ‘O Informante’, de Michael Mann. Mas, da mesma forma que isso é verdade, eu tiraria o Oscar de ‘Quem Quer Um Milionário?’ – e de Danny Boyle – para dá-lo ao Sam Mendes de ‘Foi Apenas Um Sonho’. Foi o filme dele que me arrebatou, mas já havia gostado de ‘Soldado Anônimo’, que usa a Guerra do Iraque de Bush pai para falar de Bush filho. Foi este filme que me esclareceu o partido estético de Sam Mendes, sua investigação sobre a paternidade e a forma como ele fala de pais para refletir sobre filhos. Essa ideia volta em ‘Distante Nós Vamos’ e agora cito o segundo fator que me fez amar o filme (o primeiro foi minha lua de mel com o diretor). Já disse que vou ser asvô e me tocou muito a situação do par central, outro casal (como em ‘Foi Apenas Um Sonho’). Eles ficam grávidos de cara, como minha filha e genro, lá pelas tantas ela diz que se sente perdida. Aos 33 anos, sua vida é confusa, a deçle também, e ambos põem o pé na estrada, buscando um lugar para chamar de seu. O filme divide-se em capítulos – ‘Rumo a…’ São diversas cidades e, em cada uma delas, o nosso casal encontra outro casal que, a princípio, parece melhor de vida, mas Mendes está querendo nos dizer que de perto ninguém é normal e a dupla percorre os EUA – Phoenix, Tucson, Madison, Miami… O final é maravilhoso e eu terminei chorando, fazer o quê? Havia escrito na matéria do ‘Caderno 2’, não lembro se aqui no blog também, que amei a maneira como Marc Webber reinventa a comédia romântica em ‘500 Dias com Ela’. Sam Mendes também reinventa o filme de estrada, justamente ao filtrá-lo pela comédia rromântico e ao resgatar uma masneira de usar a trilha, muito anos 60/70, que remete a ‘A Primeira Noite de Um Homem’ e ‘Sem Destino’. Me lembrei muito de ‘Um Caminho para Dois’ (Two for the Road), de Stanley Donen, um dos filmes essenciais, embora pouco reconhecido como tal, dos anos 60. Marc Webber me disse que Donen, e ‘Um Caminho’, tinha sido referência para ele em ‘500 Dias’. O filme está agora presente, de alguma forma, em ‘Distante Nós Vamos’. É tão bonito, e eu via naquele casal um pouco da minha Lúcia e do meu Érico (perdoem-me os possessivos). Ao chorar pelo filme, chorava por mim. Sou esse romântico incorrigível, assumo.