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Luiz Carlos Merten

07 Julho 2007 | 11h54

Andei (ainda ando) mergulhado no universo de Carandiru – O Filme, por conta de um projeto muito interessante e que, oportunamente, será revelado. Entrevistei toda a equipe do filme de Hector Babenco. Já havia redigido o texto quando senti que seria absurdo não ter o pai da criança, aquele que tudo começou. Conversei com Drauzio Varella na quinta à noite e a entrevista com ele me fez ver que precisava ir atrás de Rita Cadillac, também. Entrevistei-a ontem à tarde. Foi ótima. À noite, fui, como quase toda a equipe do Caderno 2, assistir à estréia de Salmo 91, a peça que Dib Carneiro Neto adaptou do livro de Drauzio. Dib é editor do Caderno 2 e um amigo muito especial. Havia lido o texto, uma série de dez monólogos que penetram naquele universo de violência para mostrar que os detentos de alta periculosidade, vivendo como bichos, são gente. O texto é muito forte, cada monólogo melhor que o outro. Gabriel Vilela potencializou essa força numa montagem muito intensa. Agora, posso dizer. Gabriel tem aquela coisa muito mineira, muito barroca, muito anjinho pro meu gosto. O que ele vai fazer com esse texto, me perguntava? O que o cara fez com a peça não está no gibi. Toda a força está na palavra, desde o espetacular monólogo inicial de Pascoal da Conceição, que vomita seu texto. Gabriel foi na veia – menos é mais, mas o menos dele inclui uma visualização tão forte que aqueles cinco atores, vivendo dez papéis, tornam-se antológicos. Toda tragédia passa pela palavra. Êpa! Já escrevi isso, e foi sobre Joseph L. Mankiewicz, um dos meus autores preferidos – A Malvada, A Condessa Descalça, De Repente no Último Verão, Jogo Mortal. Mankiewicz constrói, na tela, sua mise-en-scène por meio do dinamismo dos diálogos, sempre taco-no-taco. Gabriel cria, sem firulas, um dinamismo muito grande nos monólogos. Fiquei de olho preso. Que elenco! Depois de livro, cinema e série de TV, Carandiru fecha um ciclo no teatro. Vejam. No Sesc Santana, espetáculos hoje, amanhã e segunda (por causa do feriado). Depois, de quinta a domingo, durante um mês e meio.