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Cultura » Saem os Ursos e a Argentina faz festa

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Luiz Carlos Merten

17 Fevereiro 2007 | 17h45

BERLIM – Havia tentado postar um texto que achei que estava saindo bonito, sobre Love and Honor, o fecho da trilogia de samurais, de Yoji Yamada, que passou no Panorama. Havia perdido o filme, mas a gentileza do pessoal do Panorama me permitiu veh-lo em DVD, num home theatre com qualidade de cinema. Achei bonito, mas agora nao tenho tempo de reescrever tudo de novo (nao sei nem se o post agora serah aceito). Amanhah ou depois eu volto a falar de Love and Honor. O assunto agora eh a premiacao da Berlinale. Acabam de ser anunciados os vencedores. O juri presidido por Paul Schrader deu o Urso de Ouro para o filme cino-mongol O Casamento de Tuya (que tambem ganhou o premio do jurih ecumenico). Gostei do filme, que trata de velhas tradicoes do povo mongol em choque com a modernizacao da China, em pleno processo capitalista, perdao, neoliberal. Ou seja, o premio nao eh um equivoco nem uma vergonha, mas eu teria outros candidatos. Nao votaria em Tuya. O premio de melhor direcao foi para o israelense Joseph Cedar, por Beaufort, sobre a guerra no Libano. Cedar fez um discurso de agradecimento emocionante. Tenso, disse que seu filme nao eh sobre heroismo, sobre hastear a bandeira numa fortaleza tomada pela forca, mas sobre o medo, que ele proprio sente da guerra. O que gostaria, com seu filme, eh de estimular a coragem dos dirigentes para que parassem as guerras (ou a grande guerra atual, no Iraque, isso ele nao disse, mas deixou subentendido). Cedar foi muito aplaudido. A Argentina recebeu dois premios importantes – melhor ator, para o grande Julio Chavez (de El Custodio, O Guarda-Costas) e premio especial do jurih, ambos para El Otro, de Ariel Rotter. Embora surpreendentes, aqui e ali, os premios nao desonram o jurih, que investiu em novos talentos e dispensou os veteranos como Rivette e Menzel, cujos filmes, Ne Touchez Pas la Hache e I Served the King of England, voces sabem que eu gosto muito. Acho que o jurih soh errou mesmo no premio aa melhor atriz, atribuido aa alema Nina Hoss, por Yella, de Christian Petzold. A propria Nina disse que estava surpresa, porque esperava ver o premio ser entregue a Marianne Faithfull, por Irina Palm. Mas o jurih precisava dar um premio ao cinema alemao e o de Nina pareceu aos jurados o menos ruim. Nao concordo. Ela eh boa, mas achei o filme de Petzold muito ruim. Havia um alemao melhor, The Counterfeiters, mas este teria de ganhar outro premio e aih estragaria a engenharia montada por Paul Schrader e seus colegas que formaram o jurih de 2007. Amanhah a gente fala mais.