Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Sábático?

Cultura

Luiz Carlos Merten

26 Julho 2009 | 13h44

Olá, dei-me ontem, um sábado ‘sabático’ – é redundância. não? –, ou então as coisas saíram assim, meio por acaso. Pela manhã, havia resolvido ficar em casa para tentar dar certa ordem na bagunça de livros e DVDs que aquilo lá está virado. Queria aproveitar o fato de minha filha (e ‘neta’, a cachorra Angel) estarem em Porto. Mas aconteceu de dar uma zapeada, como sempre faço. Havia este filme, ‘Duas Semanas’, num dos canais Telecine. Vi uma cena, mais uma cena e… By-bye, arrumação. Tenho um amigo – Dib Carneiro Neto – que adora a série ‘Brothers & Sisters’. Por conta do seu entusiasmo, até já vi alguns episódios, e olhem que não me ligo em séries. Sally Field faz a mãe daquela família numerosa. Sally faz outra mãe em ‘Duas Semanas’. Ela está morrendo e o título refere-se ao número de dias em que os filhos param com tudo para acompanhar a fase terminal da mãe. Eles estão juntos, mas tudo aponta para a futura separação da família. A mãe os incentiva a permanecerem unidos. Achei o filme bonito, com várias subtramas emocionantes. A amiga de uma vida inteira da mãe, que vem visitá-la. As brigas entre os irmãos. Os raros momentos em que, apesar de todas as desgraças, eles riem dos próprios infortúnios. O desabafo do padrasto, que vê os filhos da mulher entrarem na casa e assumirem a situação, como se ele não existisse. Sally Field ganhou duas vezes o Oscar, por ‘Norma Rae’, de Martin Ritt, que também lhe valeu o prêmio de melhor atriz em Cannes, e por ‘Um Lugar no Coração’, de Robert Benton. Ao receber o segundo prêmio, ela fez um discurso que entrou para a história. Chorando, disse que a prëmio era a prova de que ‘vocês (a academia) me amam’. Tenho de admitir que gosto de Sally Field. É a menos glamourosa, a mais gente como a gente de todas as estrelas, ou talvez premiadas, do Oscar. E ela fez outro filme com Martin Ritt que me encantou, ‘O Romance de Murphy’, com James Mason. A ‘América’ interioransa pouca vezes me pareceu tão sincera, embora o filme tenha sido criticado justamente por humanizar os jecas que apoiavam Ronald Reagan, na época presidente dos EUA. Depois de ‘Duas Semanas’, saí para almoçar e emendei filme após o outro. Vi ‘O Guerreiro Gengis Khan’, de Sergei Bodrov, que é bom, mas tenho de admitir que não me impressionou tanto. O quadro histórico, o perfil do unificador da Mongólia, serve a uma tentativa do diretor de pensar a Rússia atual, pós-comunista, mas eu confesso que o forte do filme, além da ação, é o romance. O mais engraçado é que saí do épico do Bodrov e fui ebncarar um filme de gënero completamente diferente, ‘Halloween – O Início’, de um cara chamado Rob Zombie (Isso é nome?). Achei um horror, mas não posso deixar de comentar. A máscara de Mike Myers continua impressionante, mas o tal de Zombie foi muito parcimonioso no uso do facão, quie ele usa para matar. Corre muito mais sangue nas cenas em que Genis Khan e seus guerreiros passam os inimigos no fio das respectivas espadas – êta sangueira danada… Entre um filme e outro, e um jantar no meio, encarei uma roda de samba no Anhangabaú (sobre a qual falo daqui a pouco). De volta para casa, (re)vi ‘O Caçador de Pipas’, de Marc Foster, que é outro filme que me emociona bastante. Uma cena é demais – quando o protafgonista conversa com o menino que foi resgatar no Afeganistão, na escada, depois de pensar que o perdera. O ‘herói’ foi abusado na infância e salvo pelo amigo, pai do garoto. O menino foi também abusado pelo talibã. E o mebnino diz que está se esquecendo dos pais, mas é bom que seja assim, porque acha que, se fossem vivos, os pais teriam vergonha dele, por ser ‘sujo’. Tudo isso é dito sem ênfase, não tem música de fundo, o menino não é bonito a ponto de se tornar irresistível para o espectador, mas é justamente o que faz a cena tão forte. Foi um sábado movimentado, mas os filmes da TV paga, de alguma forma, se revelaram melhores do que os que vi no cinema.