Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Sábado

Cultura

Luiz Carlos Merten

15 Junho 2008 | 11h03

Tirei ontem um dia sabático, mas não foi premeditado. Cheguei ontem por volta das 10 no jornal, para terminar de redigir um trezxto e fazer uma entrevista com Leonardo Gavina, coordenador do 15º Cinesul, que começa amanhã no Rio. A entrevista atrasou, conseqüentemente a redação do texto também atrasou e eu perdi a sessão cinéfila do Unibanco. Queria tanto rever ‘O Demônio das Onze Horas’ (Pierrot le Fou)! Não gostei muito da última vez que o revi, e como se trata de uma das raras unanimidades de Godard é o filme dele de que TODO MUNDO gosta -, achei que tinha de dar ao filme (ao dar-me…) uma nova chance. Vocês foram? Gostaram? Contem-me da sessão, tinha bom público? Fui almoçar tarde com minha filha e genro, a Lúcia e o Érico foram ao cinema. Eu emendei ‘Uma Visita a Ali Farka Touré’, de Marc Huraux, sobre o bluesman do Mali, no ciclo ‘Os Sementais de Yennega’, no Cine Olido, que exibe filmes premiados no Festival Pan-Americano de Cinema e Televisão de Uagadugu. Confesso que não conhecia o Ali Farka e fiquei fascinado pelo seu som, pelas suas letras simples, tão ligadas na terra africana, e pela própria personalidade dele, um artista conceituado na Europa mas que permanece morando em condições um tanto precárias para o que poderia ter , junto ao rio Níger, no meio de seu povo. Emendei com ‘O Abominável Dr. Phibes’, de Robert Fuest, no ciclo dedicado a Vincent Price. Mais até do que seus filmes com Roger Corman – asérie adaptada de Edgar Allan Poe -, gosto do Vincent Price de ‘Dr. Phibes’ e de “Theater of Blood’, que no Brasil se chamou ‘As Sete Máscaras da Morte’, direção de Douglas Hickox. Dr. Phibes foi o primeiro, em 1971, e conta como médico enlouquecido resolve se vingar dos cirurgiões que não salvaram sua mulher, executando-os por meio de métodos que evocam as sete pragas do Egito. Genial! Dois anos depois, Price repetiu a fórmula, mas agora como um ator que se vinga dos críticos que nunca o pouparam, matando-os por meio de métodos que evocam célebres cenas de assassinato nas peças de Shakespeare. Vincent Price era demais. Se não foi seu primeiro, o clássico noir de Preminger, ‘Laura’, foi um dos primeiros, em todo casa. Ele fazia um gigolô, um tipo melífluo. Depois veio ‘O Barão Aventureiro’ (The Baron of Arizona), de Sam Fuller. Finalmente, na fase pós-Corman, ele teve um belo papel em ‘Edward Mãos de Tesoura’, um dos meus Tim Burton preferidos (com ‘Ed Wood’ e ‘Sweeney Todd’). Satisfeito com ‘O Abominável Dr. Phibes’ – o diretor Fuest surgiu, se não me engano, na TV, fazendo episódios da série ‘The Avengers’, Os Vingadores, que teve uma versão para cinema bem ruinzinha. Depois disso, fui jantar com Lúcia e Érico – estava muito família, ontem – e caminha. Não tive nem tempo de postar sobre Jamelão. Vai ser o próximo.