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Luiz Carlos Merten

18 Junho 2011 | 11h00

Voltei ontem ao hospital para uma ‘revisão’, o médico disse que estou bem, recomendou cuidado e à tarde eu embarco para o Rio para a junkett de ‘Transformers’, que traz ao Brasil o diretor Michael Bay, o galã Josh Duhamel e uma gostosa cujo nome ainda não aprendi. Deveria estar indo neste final de semana para Los Angeles, mas prefiro não arriscar, fazendo uma viagem mais curta. Terminei jantando ontem no Arábia com Dib Carneiro e Gabriel Villela, a noite foi ótima, boa conversa, com toques de prosa mineira, boa comida, estava precisando disso. Pela manhã, já redigi minhas matérias para a edição de segunda-feira do ‘Caderno 2’, os filmes na TV e uma entrevista que fiz em Cannes, no ano passado, com um diretor cujo filme está saindo diretamente em DVD. Aguardem segunda, no ‘Estado’. Finalmente, fui ver ontem ‘Namorados por Acaso’, de Derek Cianfrance, do qual gostei, mas não tanto. Puta filme deprê. Quem foi ver no Dias dos Namorados deve ter cortado os pulsos ou jurado nunca se casar. ‘Namorados para Sempre’? Seria mais certo ‘Namorados nunca Mais’.  Impliquei com um detalhe que ainda não degluti. O filme é sobre amores desfeitos, sobre o que carregamos de nossos fracassos afetivos? Pode ser, mas por que começa a termina na perspectiva da garota, a filha, que perde a cachorra no começo e o pai no final? E justamente aquela garota, e aquele pai, cuja relação você só vai entender assistindo ao filme? Ainda estou deglutindo, confesso, mas gostei do elenco, Ryan Gosling e Michelle Williams, e dos diálogos, de certos momentos, como quando ele toca e canta e ela dança na porta da lojas fechada. Confesso que ‘Blue Valentine’, o título original, me provocou um curioso efeito retrô. Lembrei-me muito de ‘Drive’, que vi em Cannes. O filme é um thriller violento, na linha de ‘Taxi Driver’, com Ryan Gosling no papel de um motorista que trabalha com criminosos e que se envolve com jovem viúva (Carey Mulligan), a quem protege, arriscando a própria vida. Não havia gostado particularmente de ‘Drive’ e me chocou, ainda me choco no cinema, a cena em que Gosling ataca um cara a patadas e a gente ouve o crâneo do sujeito estourar. ‘Drive’ ganhou o prêmio de mise-en-scène, direção, e todo mundo acha que foi nostalgia do presidente do júri, Robert De Niro, por seu cultuado trabalhado com Martin Scorsese. Tem até uma cena meio referencial do famoso ‘Takin’ to me?’ Mas tenho de admitir que ‘Drive’ ficou comigo e ontem eu me lembrava de certas cenas ‘ternas’ de Ryan Gosling com Carey. O cara é bom pra cacete. ‘Drive’ era um projeto dele ou que os produtores lhe ofertaram e ele importou o diretor Nicolas Winding Refn, da Finlândia, ou Dinamarca. A coletiva teve um momento ótimo. O diretor disse que teve um encontro, um blind date, com Gosling. Estava todo temeroso, com medo de ser rejeitado. Conversaram, Gosling revelou-se fodão, com a cabeça focada em sexo. Pussy, pussy. Mas ele apoiou o diretor, suas ideias e Refn sentiu-se como se estivessem numa sessão de ‘mental fucking’ (definição dele).  Não sei quem distribui ‘Drive’ no Brasil, mas aquela ‘Tarantinada’, tardiamente, começa a fazer sentido na minha cabeça, e foi depois de ‘Namorados para Sempre’. Estou intrigado. Louco para rever o filme.

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