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Luiz Carlos Merten

16 Janeiro 2008 | 23h47

Olá! Vamos por partes, como diria o estripador. Me desculpem, mas desde que voltei ainda não consegui tomar pé da vida em São Paulo. Minhas férias começaram ontem, mas hoje ainda fui à redação do jornal para fazer matérias que estavam pendentes. Também fui ver ‘Sexo com Amor’, o longa de estréia (bastante televisivo, no formato) de Wolf Maya. Ainda não tive tempo de comentar o que vocês talvez já saibam. ‘O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias’ está entre os nove selecionados pela Academia de Hollywood, numa lista provisória da qual sairão os cinco indicados para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Gosto bastante do filme de Cao Hamburger, mas já comentei aqui uma sensação que tive depois de assistir a ‘O Ano’ com platéias estrangeiras (nos festivais de Berlim e do cinema brasileiro de Israel). O filme agrada, as pessoas gostam, mas a impressão deixada pelo ‘Ano’ logo se dissipa e o filme não marca, ou não fica com os espectadores. Espero, sinceramente, que isto não ocorra no Oscar. Já disse muitas vezes que não acredito no prêmio como referencial de qualidade, mas o Oscar é o Oscar e o cinema brasileiro precisa ganhar o seu, por uma questão de auto-estima. De posse da estatueta dourada vai ficar mais fácil perceber que ela, afinal de contas, não é a solução para o cinema do País, mas depois da Palma de Ouro, do Leão de Ouro e do Urso de Ouro só nos falta ganhar o reconhecimento de Hollywood. Quero acrescentar que ‘O Ano’ estreou na França com críticas positivas ou, pelo menos, simpáticas. A revista Première deu para o filme de Cao duas estrelas, num total possível de quatro. Vale transcrever parte da crítica – ‘A tristeza da infância e a dor inexprimível. A percepção ultra-sensível e o lento aprendizado de uma nova comunidade. Com finesse, elegância e, no geral, com uma recusa bem-vinda do apelo lacrimoso, Cao Hamburger assina uma ficção intimista convincente e que procura transcrever a esperança e a inquietação visceral de seu jovem protagonista, presente em quase todos os planos. De fundo, um país que flutua entre resignação e explosões histéricas, em torno à única causa comum indiscutível – o futebol.” Première ainda assinala que, malgré quelques longueurs, o filme “prefere a sugestão à demonstração , o pudor à explicação e os silêncios ambíguos aos longos discursos apaziguadores.” Na porta do cinema também estavam afixadas críticas elogiosas de jornais parisienses. Só resta torcer pelo ‘Ano’ no Oscar.