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Luiz Carlos Merten

06 Janeiro 2007 | 15h27

Estou em Porto Alegre, embarcando para Montevidéu. É uma cidade muito forte no meu imaginário cinematográfico, e não pelos filmes nela ambientados, que até são poucos.Mas Montevidéu e cinema rimam, para mim, porque foi lá que eu fiz meu aprendizado. Morando em Porto Alegre, era mais príoximo (e barato) viajar a Montevidéu e, dali, a Buenos Aires do que ir a São Paulo e Rio. E havia também o fator político, No começo dos anos 70, o Brasil estava sob a ditadura. É verdade que Uruguai e Argentina viviam ciclos sazonais de democracia, mas fosse porque eles tivessem mais cultura cinematográfica ou porque nossos milicos fossem mais burros, era possível assistir em Montevidéu, e até em Buenos Aiores, a filmes que aqui eram proibidos. A Laranja Mecânica, Último Tango em Paris, Sacco e Vanzetti e muitos outros. Foi em Montevidéu que os vi. Ia de ônibus na sexta à noite, passava sábado e domingo vendo filmes – foi num cineclube de lá que assisti pela primeira vez aos filmes de Santiago Alvarez; até hoje guardo a lembrança de um inflamado debate após a exibição de Como, Por Que e Para Que Matar Um General, sobre o asssassinato do general Pratt, ou Pratts, que defendia a legitimidade do governo de Allende, no Chile -, e voltava domingo à noite para Porto. Era jovem, tudo era festa e, de manhã, na própria segunda, já estava de volta à redação da extinta Folha da Manhã. Montevidéu, lá vou eu. Acredito que não deva encontrar uma ‘cartelera’, como eles dizem, muito diferente daqui, com Diamante de Sangue, Os Infiltrados e outros filmes do Oscar – perdão, por enquanto, do Globo de Ouro. Mas pode ser que veja alguns filmes latinos, outros europeus. Vamos lá!

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