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Luiz Carlos Merten

14 Maio 2007 | 18h02

Já estou em Cumbica, check-in feito, para embarcar para Cannes, onde depois de amanhã começa o maior festival de cinema do mundo. Desde 1992, com duas exceções (2001 e 2003), faço este caminho e é sempre emocionante. Cannes significa grandes filmes, grandes diretores, grandes entrevistas e, também, o convívio prazeroso com amigos. Tem gente, mesmo brasileiros, que só encontro na Croisette. Este ano, houve aquela decepção inicial, porque nenhum filme brasileiro participa da competição. Isso, infelizmente, já virou norma nos últimos anos. Mas só hoje, quando estava redigindo as matérias da abertura, dei-me conta de que haverá uma variada (e forte) representação brasileira, desde A Via Láctea, de Lina Chamie, que abre a Semana da Crítica, até Limite, de Mário Peixoto, em Cannes Classics, mais o Mutum, da Sandra Kogut, que encerra a Quinzena dos Realizadores, e o curta de Walter Salles na série A Chacun Son Cinéma, encomendada pelo próprio festival. A competição tem todos aqueles diretores que já ganharam a Palma de Ouro – Emir Kusturica, os irmãos Coen, Gus Van Sant etc – até os que, obstinadamente, perseguem o prêmio. O primeiro festival deveria ter-se realizado em setembro de 1939, mas foi atropelado pela eclosão da 2ª Grande Guerra. Só em setembro de 1946 Cannes realizou seu primeiro festival e, nos anos e décadas seguintes, apenas em três anos ele não ocorreu (1948, 50 e 68, paralisado que foi pelo célebre Maio). Isso explica porque o festival deste ano é o de número 60, uma data redonda que Cannes promete comemorar com pompa e circunstância. Ainda nem cheguei e já estou tinindo para ver os convidados de Cannes Classics. Andrzej Wajda vai mostrar a versão restaurada de Kanal, que lhe deu, em 1957 (há 50 anos), o prêmio do júri. Jane Fonda vai prestigiar uma homenagem a seu pai, Henry Fonda, com a exibição de Doze Homens e Uma Sentença, de Sidney Lumet. Gretchen wayne, que entrevistei para o Caderno 2, também vai prestigiar a homenagem a John Wayne, cujo centenário de nascimento se comemora dia 26 (e Cannes vai exibir a versão zero bala de Hondo, do pai de Mia Farrow, John, que eu nunca – nunquinha! – vi). Assim que chegar, me comunico com vocês, mas antes quero acrescentar mais um ou dois postezinhos rápidos – se der tempo.